Peña admite conhecer 'Jimmy' Villaverde, mas nega que ele atue a partir da residência presidencial

O presidente Santiago Peña reconheceu conhecer Juan Roberto 'Jimmy' Villaverde, apontado como operador de uma rede de páginas que atacam jornalistas e opositores, mas negou que ele trabalhe para o governo ou tenha escritório em Mburuvicha Róga. Registros públicos mostram que Villaverde administrou as redes sociais de Peña e Alliana durante a campanha e ocupou cargos públicos.

Peña admite conhecer 'Jimmy' Villaverde, mas nega que ele atue a partir da residência presidencial
Peña admite conhecer 'Jimmy' Villaverde, mas nega que ele atue a partir da residência presidencial

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi questionado sobre o esquema de 'campanha suja' que financia redes sociais para atacar a imprensa e críticos do governo. Peña admitiu conhecer Juan Roberto 'Jimmy' Villaverde Emategui, apontado como um dos operadores da rede, mas negou que ele preste serviços ao Estado.

'Jimmy é um militante do Partido Colorado como milhares de outros, um simpatizante dentro do partido', respondeu Peña à imprensa. 'Ele não trabalha na área de comunicação dentro do governo. É mentira que ele tenha escritório em Mburuvicha Róga', acrescentou.

Apesar das tentativas do governo de minimizar o papel de Villaverde, registros públicos e fontes digitais indicam que ele teve um papel ativo e próximo à cúpula do movimento Honor Colorado. Villaverde foi um dos encarregados de administrar as redes sociais oficiais de Peña e do vice-presidente Pedro Alliana durante a campanha presidencial.

Segundo dados da Controladoria Geral da República, Villaverde atuou inicialmente como chefe do Departamento de Informática na Secretaria da Juventude. Em 20 de novembro de 2023, já sob o atual governo, foi nomeado auxiliar administrativo na área de Comunicação Social da Entidade Binacional Yacyretá (EBY), cargo ao qual renunciou em janeiro de 2024.

Investigações jornalísticas apontam que a rede de páginas e perfis pró-governo dedicados ao desprestígio opera por meio de uma agência digital chamada Comunik, sediada em Coronel Oviedo. A empresa foi fundada por Villaverde em sociedade com Fabio Morales, atual chefe de gabinete da Governadoria de Caaguazú.

A partir dessa estrutura, teriam sido administrados sites como Despierta Paraguay, que destinou mais de G. 150 milhões exclusivamente em anúncios no Facebook e Instagram para difundir conteúdo difamatório. De acordo com métricas de plataformas digitais, 69% dos ataques pagos no YouTube e 47% no Meta tiveram como alvo direto a imprensa independente do país.

Após a revelação do esquema, os administradores da rede eliminaram mais de 60 publicações de ataque e desativaram completamente as contas do Despierta Paraguay.