O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, confirmou nesta quarta-feira (15) que o governo de Santiago Peña tentou, em algum momento, estabelecer um diálogo com a República Popular da China para a abertura de relações diplomáticas e consulares. No entanto, segundo o chanceler, as negociações não prosperaram devido às “imposições” de Pequim, que condicionou qualquer avanço ao rompimento dos vínculos de Assunção com Taiwan.
“Eles (China) não aceitam que nós tenhamos relações com Taiwan, assim como nós não aceitamos nenhuma condição para estabelecer tais relações com a China. De maneira que, para nós, não faz sentido discutir”, declarou Ramírez Lezcano em entrevista coletiva no Palácio de Mburuvichá Roga, conforme reportado pelo jornal ABC Color.
A declaração ocorre uma semana após o presidente Santiago Peña realizar uma visita oficial a Taiwan, único aliado diplomático do Paraguai na América do Sul. Durante a viagem, o porta-voz da chancelaria chinesa, Guo Jiakun, afirmou que “a conivência com as autoridades de Taiwan não conta com respaldo popular” no Paraguai, citando uma suposta pesquisa de opinião. Pequim considera Taiwan uma província rebelde e não reconhece seu governo.
O chanceler paraguaio também destacou que as relações entre Paraguai e Taiwan se baseiam em “princípios e valores” compartilhados, como liberdade, democracia, Estado de Direito e direitos humanos. Apesar da ausência de laços oficiais com a China, o país mantém intenso comércio bilateral, exportando soja e importando manufaturas, eletrônicos, veículos e maquinários do gigante asiático.
Em um movimento que evidencia a complexidade geopolítica da região, Ramírez Lezcano se reuniu em Washington D.C., um dia antes do início da visita de Peña a Taiwan, com Joshua Young, coordenador para a China do Departamento de Estado dos EUA e subsecretário adjunto para Ásia Oriental e Pacífico. O encontro teve como pauta principal a crescente influência chinesa na região, conforme noticiou o ABC Color.