Marcos Benítez revisita o círculo como símbolo de memória e ecologia em mostra na Casa Mayor

A exposição 'El círculo en sí', com curadoria de Damián Cabrera, reúne obras de Marcos Benítez desde os anos 1990, explorando o círculo como figura arquetípica que conecta tradições modernas, saberes botânicos ancestrais e intervenções no território. A abertura ocorre no sábado 23 de maio, às 17h, na galeria Casa Mayor, em Assunção, integrando a 12ª edição da Noche de Galerías.

Neste sábado, 23 de maio, a galeria Casa Mayor (Capitán Basilio Malutin 263, Assunção) inaugura El círculo en sí, mostra individual do artista Marcos Benítez. A abertura, marcada para as 17h, integra a programação oficial da 12.ª edição da Noche de Galerías, evento organizado pela Associação de Galerias de Arte do Paraguai (ASGAPA). A entrada é gratuita.

Sob curadoria de Damián Cabrera, a exposição propõe uma revisão da trajetória de Benítez a partir da persistência do motivo circular em sua produção desde a década de 1990. A figura geométrica arquetípica funciona como um contêiner de preocupações ambientais, biológicas e de memória coletiva, situando a obra na fronteira entre as tradições acadêmicas do modernismo paraguaio e as expressões contemporâneas de matriz popular ou comunitária.

O percurso expositivo inclui registros de intervenções efêmeras do artista em paisagens extremas, como as ações realizadas no deserto de Atacama, onde círculos de folhas de algarrobo foram o único resíduo orgânico deixado em um ambiente hostil. Benítez explica que o conceito condutor da mostra é explorar o círculo como significante expandido, e que seu processo criativo amadureceu ao longo do tempo: “A medida que passou o tempo, trabalho mais os conteúdos e vou desenvolvendo a partir disso. Antes me chamava um material e agora é ao revés: me interessa um conteúdo, um tema, e a partir daí trabalho a materialidade”.

A seleção temática tem raízes biográficas diretas na memória familiar e no conhecimento etnobotânico tradicional. A escolha dos elementos fundacionais da obra — água e terra — responde a uma ética de conservação assimilada no ambiente de origem do artista: “É algo que eu mamé, me nutri na minha família; minha mãe, por exemplo, era uma grande conhecedora das ervas medicinais. É algo importante para mim”, afirma.

A Noche de Galerías, declarada de Interesse Cultural e Turístico, reúne simultaneamente vinte espaços artísticos da capital. Para a jornada inaugural, a organização disponibilizará um sistema de ônibus gratuitos entre 17h e 22h, com guias especializados e monitores formados em instituições de arte locais para facilitar o deslocamento dos visitantes.