A corrida eleitoral em San Lorenzo, a poucos meses das eleições municipais de outubro, ganhou contornos de uma batalha interna dentro do oficialismo colorado. Dois blocos do movimento Honor Colorado (HC) disputam o controle político da cidade, com estratégias e apoios distintos.
De um lado, o atual intendente Felipe Salomão, filho do senador Óscar “Cachito” Salomão, busca a reeleição. Sua gestão, no entanto, enfrenta críticas por obras atrasadas, falta de transparência nas prestações de contas e pela morte de um menino arrastado por um raudal durante uma chuva intensa, episódio que reacendeu o debate sobre a precariedade da drenagem pluvial. Salomão migrou do Colorado Añetete para o HC e, no atual período legislativo, mantém perfil baixo no Senado, onde seu pai já foi presidente do Congresso.
Do outro lado, Édgar López, presidente da Seccional N°2, surge como o principal desafiante. Ligado ao ex-vice-presidente Hugo Velázquez e com o respaldo do ex-presidente Horacio Cartes, López já iniciou uma campanha com forte investimento financeiro, incluindo doações de equipamentos de ar-condicionado para escolas e capelas, além de apoio logístico a candidatos a vereadores de seu setor. O entorno de López inclui figuras controversas, como o ex-intendente Alcibíades Quiñónez, lembrado por denúncias de irregularidades na gestão municipal, e o ex-vereador Carlos Ferreira, alvo de críticas por sua atuação na Cooperativa Policial. Como candidato a vereador, o ex-senador e ex-ministro da Educação Eduardo Petta defende um plano focado em trânsito e segurança viária, citando o “caos” veicular na cidade.
Na oposição, o principal cenário é a disputa interna do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) entre Luz Bella González e Isaac Rojas. Paralelamente, articulações entre a terceira força — representada pelos movimentos UNITE por SanLo e Yo Creo San Lorenzo — e os liberais buscam definir uma candidatura única por meio de uma medição entre Karina Rejala, Antonio Bozzano, Luz Bella González e Isaac Rojas.
O deputado Luis Federico Franco, da oposição, criticou a administração de Salomão, classificando San Lorenzo como uma “cidade praticamente abandonada” e mencionando supostas sobrefaturações em obras, como a ciclovia que custaria cerca de US$ 3 milhões. Também responsabilizou a prefeitura pela morte do menino Tobías Vargas, de 13 anos, arrastado por um raudal, e acusou a Justiça de demora na apuração.
Dirigentes locais avaliam que, até o momento, há um “empate técnico” entre os dois setores colorados, com ambos os lados apostando em nomes com histórico de questionamentos para compor suas chapas.