Governo e Polícia reforçam prevenção ao abuso sexual infantil com foco na família e na internet

O Ministério da Niñez e Adolescência (MINNA) e a Polícia Nacional intensificam campanhas de prevenção ao abuso sexual de menores, com ênfase na educação familiar e na segurança online, após a regulamentação da Lei 6202 e o endurecimento das penas.

O governo paraguaio, por meio do Ministério da Niñez e Adolescência (MINNA) e da Polícia Nacional, está redobrando os esforços de prevenção ao abuso sexual infantil, com uma abordagem que prioriza a educação dentro de casa e a proteção no ambiente digital. A mudança de estratégia foi detalhada em entrevista à rádio ABC Cardinal por Leticia González, da direção de Prevenção do MINNA, e pelo oficial segundo Gustavo Gómez, do departamento de Cibercrimen da Polícia Nacional.

Segundo González, as campanhas anteriores focavam na denúncia e no combate à “cultura do silêncio”. Agora, a iniciativa ‘Todos Somos Responsáveis’ coloca a prevenção no centro, especialmente diante do acesso facilitado de crianças e adolescentes à internet. “O primeiro anel de segurança é a família, os adultos nessa relação próxima somos responsáveis por dar informação”, afirmou. Ela recomendou que os pais forneçam orientações “curtas e concisas” desde a primeira infância, como explicar que ninguém pode tocar ou fotografar as partes íntimas da criança.

No âmbito escolar, o MINNA e o Ministério da Educação e Ciências (MEC) implementam uma guia de prevenção elaborada por técnicos paraguaios. A novidade é o trabalho direto com as crianças para desenvolver “habilidades de vida” que as protejam. González destacou ainda a recente regulamentação da Lei 6202, que estabelece normas de prevenção e atenção a vítimas de abuso sexual, e o endurecimento das penas, que passaram de oito para até 30 anos de prisão. Uma proposta legislativa para regular o acesso de menores à internet também está em andamento.

Gustavo Gómez, do departamento de Cibercrimen, informou que a Polícia Nacional realiza palestras educativas para menores e adultos sobre as modalidades atuais de assédio e abuso online. Ele listou sinais de alerta para os pais: a criança que era alegre se torna retraída, demonstra medo, rejeita o abraço de alguém específico, passa mais tempo nas telas, tem insônia, dores inexplicáveis ou queda no rendimento escolar. “Um menino que era seguro começa a ter medo”, acrescentou González, reforçando que a prevenção deve começar em casa.