Advogado denuncia que esquema dos Daher persiste no Conselho da Magistratura do Paraguai

O advogado Osvaldo Granada Salaberry afirmou que o modelo de controle político sobre o Judiciário, exemplificado pelo ex-presidente do Conselho da Magistratura Óscar González Daher, continua ativo. Em entrevista ao jornal Ultima Hora, ele criticou a eleição de Aldo Cantero e alertou que entre 50% e 70% dos fiscais e magistrados ainda são íntegros, mas vivem com medo.

O advogado Osvaldo Granada Salaberry, em declarações ao jornal Ultima Hora, questionou o funcionamento atual das eleições no Conselho da Magistratura do Paraguai. Segundo ele, o esquema de controle político sobre o Poder Judiciário, que antes era personificado pelo ex-presidente do Conselho Óscar González Daher, persiste até hoje, embora com um novo protagonista.

“Penso que foi de boa-fé querer colocar um controle sobre o Poder Judicial ao criar esses órgãos que os políticos lideram”, afirmou Granada Salaberry. No entanto, ele sugeriu que a natureza desses órgãos mudou radicalmente. O advogado fez referência direta à eleição de Aldo Cantero para compor a terna do Conselho.

“Tanto Deny Yoon Pak como o resto das pessoas que foram fiscais e investigaram parte da máfia do Paraguai (já são conhecidos), então já sabem bem com quem não devem se meter”, disse, indicando que esses profissionais não são escolhidos para cargos sensíveis. “Agora vão tê-lo como juiz (Aldo Cantero) e já sabem bem a que juiz recorrer para conseguir os milagres das ciências do Direito”, acrescentou.

Granada Salaberry estimou que ainda existem entre 50% e 70% de fiscais e magistrados íntegros tanto no Ministério Público quanto na magistratura, mas que todos estão escondidos, com medo, apenas esperando a aposentadoria “para sair correndo”. O advogado lembrou que foi ele próprio quem denunciou Óscar González Daher, ex-presidente do Conselho da Magistratura, que era todo-poderoso. “Hoje temos outro tipo, mas o esquema funciona sempre”, concluiu.