Retos virais expõem crise de diálogo familiar nas escolas paraguaias

Ameaças de tiroteio em escolas do Paraguai, impulsionadas por desafios virais nas redes sociais, revelam a falta de acompanhamento familiar e mobilizam MEC, Polícia e Ministério Público para fortalecer protocolos de segurança e prevenção.

As ameaças de supostos tiroteios em escolas do Paraguai, disseminadas por meio de desafios virais nas redes sociais, expõem a necessidade urgente de fortalecer o diálogo familiar e a segurança nas instituições de ensino. O fenômeno, que nas últimas semanas gerou pânico em diversas escolas do país, levou as autoridades a ativar mecanismos de prevenção e a discutir responsabilidades legais.

Sonia Escauriza, diretora de Proteção e Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente do Ministério da Educação e Ciências (MEC), afirmou que as ameaças, inicialmente feitas em aplicativos de mensagens e redes sociais, evoluíram para inscrições em azulejos de banheiros com frases como “Amanhã haverá tiroteio”. Em alguns casos, as advertências resultaram na suspensão de aulas ou na presença preventiva da polícia, enquanto em outros os responsáveis foram identificados.

“Quando começamos a dar uma mensagem clara de que as aulas ocorrerão com a segurança devida, seguindo o protocolo e com o apoio da segurança, a situação diminuiu bastante”, disse Escauriza. Ela destacou que o MEC observa com preocupação o papel do ambiente familiar nesses episódios. “O papel importante e fundamental é da família”, insistiu.

Um dos principais desafios é lidar com menores de 14 anos que participam das ameaças, já que o Ministério Público só intervém diretamente em casos de adolescentes acima dessa idade. “O que fazemos com as crianças menores de 14 anos? Aí entra o papel fundamental da família”, explicou a diretora. Para ampliar o enfrentamento, o MEC planeja envolver o Ministério da Criança e do Adolescente e o Ministério da Mulher em futuras mesas de trabalho.

Em paralelo, o Ministério do Interior e a Polícia Nacional se comprometeram a encaminhar cada caso ao Ministério Público para investigação. Escauriza alertou que, dependendo da gravidade, pode haver imputações ou responsabilização dos pais. “Eles, uma vez que tenham conhecimento, vão encaminhar o relatório ao Ministério Público e, se houver casos em que seja necessário imputar, também vão imputar ou responsabilizar os pais”, afirmou.

Miguel Marecos, presidente do Sindicato Nacional de Diretores, apontou o distanciamento entre pais e filhos como um problema central. Em experiências anteriores, de 30 pais convocados, apenas 12 compareceram e somente quatro reconheceram a mochila dos filhos. “Nenhum sabia qual tarefa o filho tinha ou qual livro deveria levar”, lamentou. O sindicato planeja realizar uma série de oficinas preventivas, com início em 22 de maio, na Escola Luis Alberto de Herrera, em Assunção.

Escauriza confirmou que, em alguns casos, os estudantes responsáveis pelas ameaças já foram identificados e estão sujeitos a medidas socioeducativas previstas nas normas de convivência escolar. “Desde a educação, devemos transformar, educar e ver essa postura, mas sempre com o acompanhamento da família”, concluiu.