O coordenador da Unidade de Gestão de Riscos do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAG), Édgar Mayeregger, informou que, apesar da queda acentuada das temperaturas, ainda não foram observados impactos de geadas nas zonas produtivas. No entanto, a chegada de uma nova frente fria mantém o setor agropecuário em alerta, com risco de geadas agrometeorológicas — que podem ocorrer mesmo sem temperaturas negativas.
“Hoje podem se dar condições um pouco mais favoráveis para que a temperatura seja um pouco mais baixa. Mas, pelo menos no horizonte não se vê 0°C; sim geadas agrometeorológicas, que com 3°C já implicam problemas para o cultivo”, explicou Mayeregger.
As regiões com maior probabilidade de registrar as menores temperaturas incluem o sul e sudeste do país, além do Bajo Chaco, Paraguarí, Misiones, Caazapá Sul, Alto Paraná e parte de Canindeyú — áreas onde se concentra boa parte da produção agrícola extensiva e hortifrutícola.
O cultivo mais exposto é a safrinha de soja e milho, especialmente em fases sensíveis como a floração, já observada em áreas de Itapúa e Alto Paraná. O monitoramento é feito em conjunto com a Direção de Meteorologia, utilizando modelos de previsão de curto prazo atualizados diariamente.
Para esta semana, o risco de geadas é o principal foco. Já na próxima, a previsão indica continuidade do frio, mas acompanhado de chuvas, o que reduziria a probabilidade de geadas severas. “A próxima semana vamos continuar com frio aparentemente, mas já com precipitações. Isso implica que o risco de geada não é tão grande. Mas, sim, esta semana teríamos que estar monitorando com mais força os lugares onde eventualmente poderia pegar esse evento”, afirmou Mayeregger.
O coordenador recomendou aos produtores reforçar medidas preventivas, como o uso de irrigação por aspersão para gerar vapor e mitigar a queda térmica, evitar o encharcamento do solo e proteger cultivos sensíveis com coberturas térmicas. Em casos extremos, mencionou o uso de fumaça como último recurso.
Para o médio prazo, organismos internacionais como a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e o Centro Internacional do Fenômeno El Niño preveem a instalação do fenômeno El Niño a partir de julho.