Paraguai é sede da 56ª Assembleia Geral da Associação Latino-Americana de Instituições Financeiras para o Desenvolvimento (Alide), que reúne autoridades financeiras e organismos multilaterais da América Latina e do Caribe para debater o papel estratégico da banca de desenvolvimento diante de um novo cenário econômico global marcado por incertezas e fragmentação.
Na abertura do evento, o presidente da Alide, Juan Cuattromo, destacou que inovação, investimento e inclusão são pilares para impulsionar uma banca de desenvolvimento voltada ao crescimento inclusivo e transformador. “Vivemos um momento de redefinição profunda da ordem econômica internacional. A economia global desacelera, com elevada incerteza, tensões comerciais e financeiras, inflação persistente e taxas de juros que continuam condicionando o investimento produtivo”, afirmou.
Cuattromo acrescentou que a fragmentação e os conflitos geopolíticos estão reconfigurando as cadeias de suprimento e pressionando os preços de energia, alimentos e outras matérias-primas estratégicas. “O que antes era volatilidade conjuntural, hoje é uma condição estrutural”, disse. Ele também apontou que a América Latina e o Caribe enfrentam esse contexto com crescimento insuficiente, baixo investimento, lacunas de produtividade e desigualdades persistentes, sendo essencial fortalecer o papel estratégico da banca de desenvolvimento.
“A transformação produtiva, a modernização econômica e a inclusão social exigem visão, institucionalidade e financiamento. A banca de desenvolvimento cumpre essa função como complemento estratégico onde o mercado não chega”, completou Cuattromo. Ele mencionou que um dos eixos da assembleia é inovar, não apenas com adoção tecnológica, mas também com novos instrumentos financeiros para medir o impacto econômico, social e ambiental.
O presidente do Banco Nacional de Fomento (BNF) e titular da 56ª Assembleia da Alide, Manuel Ochipintti, destacou que o encontro é um dos espaços mais relevantes da região para debater inovação, investimento e inclusão como motores do crescimento transformador. “Não somos atores de última instância; somos os primeiros chamados a mobilizar recursos para onde o mercado chegaria tarde ou não chegaria”, afirmou. Ochipintti disse que o BNF tem o desafio de estruturar instrumentos financeiros que vinculem investimentos a fornecedores locais e gerem empregos de qualidade. “A nova fronteira da banca pública de fomento não é apenas emprestar, mas construir cadeias de valor que durem gerações”, declarou.
O ministro da Economia e Finanças do Paraguai, Óscar Lovera, ressaltou o valor do intercâmbio de experiências dentro da Alide para acelerar a adaptação e modernização das instituições financeiras de desenvolvimento. Em um contexto regional marcado por desafios estruturais e distintas realidades macroeconômicas, Lovera afirmou que o crescimento econômico deve se traduzir em emprego, produtividade, inclusão e mobilidade social. “A banca de desenvolvimento tem um papel estratégico e insubstituível, porque não apenas mobiliza recursos, mas articula soluções, impulsiona projetos de alto impacto e acompanha processos de transformação produtiva”, concluiu.