O Ministério Público iniciou uma série de perícias técnicas nos quase 22 quilos de ouro apreendidos em novembro do ano passado no Aeroporto Silvio Pettirossi, em Assunção. A diligência busca determinar se o metal precioso foi extraído de jazidas localizadas em Paso Yobái, departamento de Guairá.
Os fiscais Alejandro Cardozo e Francisco Cabrera coordenam os exames, que contam com a colaboração de peritos geólogos da Polícia Federal do Brasil, acionados por meio de cooperação jurídica internacional. Foram coletadas amostras dos lingotes — mantidos sob custódia na abóbada do Banco Nacional de Fomento (BNF) — e também de ouro nativo na área mineradora de Paso Yobái, para análise laboratorial.
Os testes científicos deverão estabelecer a pureza, a origem geológica e o valor comercial exato do carregamento, que tinha como destino final o Panamá. A investigação apura os crimes de contrabando, cohecho passivo e associação criminosa. Estão imputados Gustavo Ismael Britos Orlando, ex-chefe de segurança do aeroporto, e os passageiros Aquiles José Andrés Denis Di Lascio e Fernando Antonio Peralta Zaván.
Em outra frente, a Comissão Nacional de Jogos de Azar (CONAJZAR), vinculada à Direção Nacional de Ingresos Tributários, realizou uma série de batidas em locais clandestinos de apostas e jogos de azar no departamento de Amambay. Os estabelecimentos não possuíam licença e operavam à margem do sistema regulatório. Foram apreendidos equipamentos informáticos, dispositivos celulares, evidências digitais e veículos.
As ações, executadas pela Direção contra Fatos Puníveis Econômicos e Financeiros da Polícia Nacional em coordenação com o Ministério Público, representam um dos primeiros procedimentos sob a Lei nº 7.438/25, que fortalece a articulação institucional contra o jogo ilegal. A CONAJZAR destacou que o combate a essas atividades é prioritário, não apenas pelo impacto na arrecadação, mas também pelos possíveis vínculos com lavagem de dinheiro e crime organizado.