Câmara aprova pedido de informações sobre suposta rede de campanha suja ligada ao governo Peña

A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou um pedido de informações ao Ministério de Tecnologias da Informação e Comunicação (MITIC) sobre o suposto envolvimento do governo de Santiago Peña em uma rede de campanha suja nas redes sociais. O pedido busca esclarecer se Juan Roberto "Jimmy" Villaverde, que o presidente negou ter vínculo, possuía credenciais oficiais e se houve pagamentos com dinheiro público, inclusive por meio de entidades binacionais como Itaipú e Yacyretá.

Em meio a protestos de opositores contra a censura imposta pela maioria cartista na semana passada, a Câmara dos Deputados aprovou um pedido de informações ao Ministério de Tecnologias da Informação e Comunicação (MITIC), chefiado pelo ministro Gustavo Villate, sobre o papel de Juan Roberto “Jimmy” Villaverde na suposta rede de campanha suja. O presidente Santiago Peña, que em 2023 apresentou Villaverde como seu responsável pelas redes sociais, negou recentemente qualquer vínculo com ele, classificando-o como um mero “militante cartista”.

O pedido, apresentado pelo deputado independente Raúl Benítez, questiona se Villaverde possui ou possuía credenciais oficiais de acesso a dependências do Poder Executivo, incluindo a residência presidencial de Mburuvicha Róga. Também solicita detalhes sobre eventuais contratos de serviços, consultorias ou pagamentos feitos pelo Estado, por meio do MITIC ou das binacionais Itaipú e Yacyretá, à Villaverde ou à empresa “Comunik”, desde 2023.

Benítez afirmou que a campanha suja é financiada com dinheiro público. “Os puxa-sacos, os rastejantes, os sicários do governo estão pagos com dinheiro público”, declarou. Ele destacou que é inacreditável que o MITIC tente fazer crer que páginas que atacavam críticos e promoviam programas estatais, como Che Roga Pora e Sumar, não recebiam nenhum pagamento ou benefício.

Paralelamente, o deputado Adrián “Billy” Vaesken, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), criticou duramente o procurador-geral da República, Emiliano Rolón, por não ter aberto investigação sobre denúncia formal contra Peña por suspeita de administração em proveito próprio, apresentada em outubro de 2025. Vaesken afirmou que Rolón justificou a inação alegando falta de peritos e aguardo de parecer da Controladoria-Geral da República. “Este senhor é um inoperante. É um verdadeiro carruagem”, disparou Vaesken, acrescentando que a impunidade impera no país.