Bachi Núñez defende balotaje e reeleição presidencial em reforma constitucional

O presidente do Congresso paraguaio, Basilio 'Bachi' Núñez, afirmou que o país deve adotar o balotaje e a reeleição presidencial, defendendo uma reforma constitucional. Ele também propôs um sistema de 'duplo desbloqueio' nas listas eleitorais e criticou pedidos de nova auditoria nas urnas.

Bachi Núñez defende balotaje e reeleição presidencial em reforma constitucional
Bachi Núñez defende balotaje e reeleição presidencial em reforma constitucional

O presidente do Congresso Nacional do Paraguai, senador Basilio 'Bachi' Núñez (Partido Colorado, ANR), declarou nesta terça-feira (19) que o país deve caminhar para a adoção do sistema de balotaje (segundo turno) nas eleições presidenciais, mas insistiu que a reeleição presidencial também precisa ser debatida. Em entrevista à emissora ABC Cardinal, Núñez afirmou que 'em algum momento' o balotaje será instalado, mas que a reforma constitucional necessária deve incluir a possibilidade de reeleição para presidente e governadores.

'Temos que premiar quem faz boa gestão, como os prefeitos que podem ser reeleitos. Por que não os governadores? Por que não os presidentes?', questionou o senador, lembrando que o Paraguai é o único país da América do Sul sem reeleição presidencial. A mudança exigiria alteração na Constituição Nacional, tema que gerou forte crise em 2017, quando o então presidente Horacio Cartes tentou aprovar uma emenda para a reeleição, mas recuou após protestos reprimidos.

Núñez também anunciou a elaboração de um projeto de lei para modificar o sistema de listas eleitorais desbloqueadas, criando um 'duplo desbloqueio' que permitiria ao eleitor escolher até dois candidatos dentro de uma mesma lista, em vez de apenas um. Segundo ele, a medida aumentaria a competição interna nos partidos e daria 'mais opções ao cidadão'. O texto deve ficar pronto em dez dias, com colaboração de especialistas em direito eleitoral.

O senador criticou setores da oposição, como a senadora Celeste Amarilla (Partido Liberal, PLRA), que defenderiam o retorno ao sistema de listas fechadas e votação com cédulas físicas. 'O Congresso, em geral, defende o desbloqueio. Com lista fechada, a cúpula partidária se elege entre quatro paredes e os do interior não entram', argumentou.

Sobre o pedido de facções dissidentes do Partido Colorado por uma nova auditoria nas máquinas de votação usadas nas eleições internas de junho e nas municipais de outubro, Núñez disse não se opor, mas alertou que os prazos eleitorais são 'peremptórios e improrrogáveis'. Uma prorrogação, segundo ele, significaria a suspensão das eleições internas marcadas para 7 de junho, o que 'atenta contra a democracia'.