O presidente do Senado, Basilio “Bachi” Núñez, respondeu nesta segunda-feira (18) às críticas de movimentos internos da Associação Nacional Republicana (ANR) e do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) que questionam a confiabilidade das máquinas de votação eletrônica. Em declarações, Núñez sugeriu que as objeções são uma estratégia política para “abrir o guarda-chuva” ante uma eventual derrota nas próximas eleições.
“Agora questionar mais parece que estamos perdendo o jogo e queremos abrir o guarda-chuva. E quem vai ganhar não tem medo”, afirmou o legislador, em referência a setores dissidentes da ANR ligados à senadora Lilian Samaniego (Causa Republicana) e a senadores do PLRA, como Celeste Amarilla e Ever Villalba.
Núñez reiterou sua confiança no trabalho do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE) e afirmou que não há elementos objetivos para deslegitimar o sistema de votação eletrônica vigente. Segundo ele, instalar suspeitas antes das eleições “é nocivo para a democracia” e gera incerteza na cidadania. O presidente do Senado também lembrou que os partidos políticos já contam com representantes oficiais e procuradores com personalidade jurídica para participar das auditorias e controles do processo eleitoral, mas que vários setores não compareceram às convocações oficiais.
Em meio ao debate, Núñez anunciou que trabalha em um projeto de lei para modificar o sistema de listas desbloqueadas. A proposta prevê passar de um único voto preferencial para um esquema de “duplo desbloqueio”, que permitiria ao eleitor escolher até dois candidatos dentro de uma mesma lista. “Estou trabalhando em um projeto de lei para que o cidadão tenha a possibilidade de desbloquear dois candidatos”, explicou.
Além disso, Núñez respaldou a iniciativa do senador independente Eduardo Nakayama de iniciar uma purga no Congresso para revisar a situação de funcionários que recebem bonificações vinculadas a títulos acadêmicos de dudosa legitimidade. O presidente do Senado afirmou que o Legislativo não pode ficar à margem de uma revisão interna sobre a validade de títulos e eventuais irregularidades, lembrando que os funcionários do Congresso não recebem por título acadêmico desde a implementação da matriz salarial.