Basilio Núñez critica possível campanha suja do governo contra jornalistas e opositores no Paraguai

Basilio Núñez, presidente do Congresso do Paraguai, criticou uma possível campanha suja financiada pelo governo de Santiago Peña contra jornalistas e opositores, envolvendo a agência Digimarketing SAS e ligações com o Ministério de Tecnologias para a Informação e Comunicação. O caso tem implicações para a política interna e a governança no Paraguai, com possíveis reflexos na estabilidade regional.

Basilio “Bachi” Núñez, presidente do Congresso Nacional do Paraguai, comentou sobre a investigação em curso envolvendo a chamada La Red Desinformante, uma rede que teria realizado uma campanha suja com centenas de ataques a jornalistas e opositores do governo de Santiago Peña. A campanha teria sido financiada por pautas do governo, administradas pela agência colombiana Digimarketing SAS, responsável também pela publicidade oficial nas redes sociais.

Entre as evidências reveladas, está um celular vinculado a Yecika Bracho, cuja residência coincide com a agência argentina Azafrán SA, que prestou serviços nos Jogos ASU 2025 e tem ligação com a viceministra do Ministério de Tecnologias para a Informação e Comunicação (Mitic), Alejandra Duarte. Além disso, Juan Roberto “Jimmy” Villaverde, apontado como operador da campanha suja, foi funcionário do Mitic, fato negado pelo ministro Gustavo Villate e pela própria viceministra Duarte, o que aumenta as suspeitas de envolvimento governamental.

Questionado sobre o caso, Núñez afirmou que, se comprovado que a campanha foi feita a partir do governo, isso estaria errado, seja contra jornalistas ou adversários políticos. “Para mim está mal se se fez desde o Governo, já que sou uma pessoa que sofreu isso na pele”, declarou.

Sobre as eleições internas do Partido Colorado, marcadas para o dia 7 de junho, Núñez destacou que o movimento Honor Colorado, liderado pelo ex-presidente Horacio Cartes, está consolidado após mais de quinze anos de atuação, tanto no governo quanto na oposição. O senador apontou Camilo Pérez, precandidato a prefeito de Assunção pelo cartismo, como uma figura sem teto eleitoral, capaz de captar votos da população da capital, o que o torna o “temor da oposição”.

Núñez também comentou que Arnaldo Samaniego, outro candidato colorado, tem pontos fortes, mas sua fraqueza reside na lista de vereadores que o acompanha. Além disso, o senador criticou a influência de Mario Abdo Benítez na dissidência do partido, chamando-o de “mariscal da derrota” e afirmando que sua presença prejudica o desempenho eleitoral do grupo.

O presidente do Congresso afirmou que, após as internas, é fundamental promover o diálogo e o “abraço republicano” entre os setores do partido, independentemente do resultado. Ele ainda negou desgaste do cartismo e ressaltou que as fugas de militantes geralmente ocorrem em direção ao oficialismo, não à oposição.

Por fim, Núñez se responsabilizou caso Camilo Pérez perca a interna e prometeu responder, junto com seu advogado, às críticas sobre nomeações e contratos de funcionários ligados a Villa Hayes, sua base política.

Fontes (2)

Atualizado: 5 de jun. de 2026, 15:47