Bombeiros voluntários de três municípios do departamento paraguaio de Alto Paraná realizaram protestos simultâneos ou consecutivos nesta semana, exigindo o repasse imediato de verbas municipais retidas pelas prefeituras. A crise financeira compromete a capacidade operacional das corporações, resultando em veículos inoperantes e na suspensão parcial de atendimentos de emergência.
Em Hernandarias, as três companhias locais — os "Amarillos" (K-121), os "Azules" (K-3) e o corpo do bairro San Francisco — estacionaram seus caminhões com sirenes ligadas em frente à prefeitura na segunda-feira. Segundo Aníbal Adorno, representante da K-3, a dívida municipal com sua unidade varia entre G. 130 milhões e G. 180 milhões, dependendo da fonte consultada, acumulada há nove meses. Para os Amarillos, o atraso ocorre desde abril de 2026, enquanto o corpo de San Francisco aguarda repasses há oito meses. Adorno alertou que, sem recursos, as unidades podem suspender totalmente os serviços em até três dias.
A falta de manutenção já afeta diretamente a população local. Em Hernandarias, pacientes acidentados estão sendo transportados em caminhonetes comuns devido à inoperância das ambulâncias. A companhia K-3 possui seis veículos, mas apenas um caminhão-tanque está funcional; os outros cinco permanecem parados por defeitos mecânicos não reparados por falta de fundos. O prefeito Nelson Cano, filiado ao Partido Colorado (ANR), não respondeu às mobilizações até o momento.
O problema se estende a outras cidades-chave da região. Em Minga Guazú, a Companhia K-122 protestou na terça-feira contra um atraso de seis meses, estimado entre G. 150 milhões e G. 170 milhões. Seu presidente, Arnaldo Maciel, informou que a assessoria jurídica prepara uma denúncia contra o prefeito por suposto abuso de confiança e apropriação indébita. A unidade anunciou a redução temporária da capacidade operativa, mantendo apenas uma ambulância ativa, enquanto depende de vaquinhas internas para comprar insumos básicos como luvas e máscaras.
Em Ciudad del Este, a situação é crítica em termos absolutos. O Corpo de Bombeiros Voluntários local, que conta com cerca de 700 voluntários distribuídos em três quartéis e quatro bases operacionais, acumula uma dívida superior a G. 3 bilhões desde dezembro de 2025. A instituição precisa de aproximadamente G. 120 milhões mensais para operar, mas recebe apenas G. 70 milhões de sócios contribuintes. O presidente Andrés Fernández Aquino atribuiu parte dos entraves burocráticos à implementação do Sistema Integrado de Administração dos Registros Administrativos (Siara), embora tenha confirmado o recebimento de combustível da prefeitura como paliativo.
Já em Presidente Franco, o atraso corresponde aos meses de julho e agosto, totalizando cerca de G. 30 milhões. José Velázquez, presidente da instituição, declarou que o prefeito Roque Godoy, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), comprometeu-se a regularizar os pagamentos durante esta semana. As taxas municipais cobradas dos contribuintes para financiar os bombeiros são retidas pelas prefeituras, gerando um vácuo de financiamento que ameaça a segurança pública regional.
