O bispo da diocese de Caacupé, dom Ricardo Valenzuela, fez neste domingo (17) um forte apelo por integridade e transparência durante a missa das 7h na Basílica Santuário Nossa Senhora dos Milagres. O religioso criticou a tendência de opinar e condenar sem conhecer os fatos, muitas vezes movido por preconceitos, versões parciais ou interesses particulares.
“A verdade nos fará livres, mas primeiro devemos buscá-la com coragem”, afirmou Valenzuela, citando o Salmo 14: “Feliz aquele que não se retrata do que jura, mesmo que saia prejudicado”. Para ele, dizer a verdade e agir com retidão exige coragem, inclusive quando implica assumir consequências.
O bispo também alertou contra a desinformação e as “meias verdades” que corroem a confiança nas instituições. “Construamos um legado de integridade que transforme nosso entorno, começando por nós mesmos, pela família, pelos vizinhos e por toda a sociedade”, declarou.
Valenzuela recorreu à parábola dos cegos e do elefante para ilustrar como as pessoas enxergam apenas uma parte da realidade e se arriscam a fazer julgamentos absolutos. “Assim acontece com frequência na vida: vemos parcialmente as coisas, os acontecimentos e a conduta dos homens, e nos atrevemos a fazer juízos absolutos. E como nos enganamos”, disse.
Na homilia, o bispo também abordou o tema da Jornada Mundial das Comunicações Sociais, cujo mensagem do papa Francisco alerta para os desafios da inteligência artificial e a necessidade de preservar “as vozes e os rostos humanos”. Valenzuela advertiu sobre o risco de manipulação emocional por meio de conversas artificiais e conteúdos gerados por IA, e pediu responsabilidade de criadores e usuários, além de uma educação baseada no pensamento crítico.
“Buscar a verdade é um ato de liberdade. Liberta-nos das sombras do engano e do preconceito”, concluiu o bispo.