Faltando menos de um mês para as eleições internas simultâneas dos partidos e movimentos políticos do Paraguai, marcadas para 7 de junho, o jornal ABC Color publicou um editorial em que denuncia o vazio programático e a falta de transparência financeira das campanhas. Segundo o periódico, até agora não se viu nada diferente do habitual: cartazes com rostos hiper-retocados espalhados pelos postes da ANDE, causando poluição visual; uso intensivo de redes sociais e meios de comunicação para baixar linha; e o reiterado emprego de autofalantes com músicas ridículas de autoelogio.
O texto destaca que os debates de alto nível e a confrontação de projetos para melhorar serviços básicos nas cidades estão ausentes. “Parece que a prioridade continua sendo ganhar popularidade antes de convencer com ideias”, afirma o editorial. A isso se soma a “quase nula transparência” sobre os gastos com cartazes, reuniões, shows e até sorteios de veículos para agradar os adeptos. Os eventos ostensivos, segundo o jornal, evidenciam que as declarações juradas de receitas e despesas de campanha apresentadas à Justiça Eleitoral estão muito longe de refletir a realidade.
O ABC Color questiona como candidatos que ocupam cargos menores ou nunca administraram recursos públicos conseguem financiar campanhas milionárias sem o respaldo de poderosos grupos econômicos ou políticos. “Poucas vezes se investiga com profundidade quem está por trás desses aportes e quais serão as futuras contraprestações”, alerta. A cidadania acaba votando sem conhecer os reais interesses que acompanham cada candidatura.
A ausência de propostas concretas também demonstra o baixo nível do debate político atual. Enquanto as cidades enfrentam problemas urgentes como ruas destruídas, falta de água potável, caos no trânsito e deficiências nas escolas públicas, as campanhas se concentram em jingles pegajosos, caravanas e espetáculos. As redes sociais, em vez de se tornarem espaços de discussão séria, são frequentemente usadas para campanhas sujas, ataques pessoais e difusão de desinformação.
O editorial conclui que a democracia precisa de candidatos preparados, capazes de debater ideias, transparentar seus recursos e apresentar planos de governo realistas. “Enquanto as campanhas seguirem vazias de conteúdo e cheias de dúvidas sobre seu financiamento, a política continuará se afastando das necessidades da cidadania”, finaliza.