A candidata à prefeitura de Assunção, Soledad Núñez, apresentou um plano de seis medidas para combater a corrupção na administração municipal, utilizando como cenário obras de drenagem pluvial inacabadas na Costanera. "A corrupção se paga com o dinheiro de quem trabalha no fim do mês para sustentar uma prefeitura que não dá respostas", declarou, apontando para estruturas de concreto que, segundo ela, já foram pagas mas nunca instaladas.
As propostas incluem a criação de uma Unidade Especial de Recuperação de Recursos para auditar e recuperar desvios de fundos, o fim dos pagamentos a "planilleros" – funcionários fantasmas ligados a favores políticos –, auditorias surpresa em todas as dependências, um registro público de contratos, um portal de contas abertas para transparência em tempo real e um canal seguro para denúncias anônimas de corrupção.
Núñez também desafiou publicamente seu principal rival, Camilo Pérez da Associação Nacional Republicana (ANR), para um debate sobre propostas de governo. "Quero convidar publicamente o Camilo para debater esses temas. A cidade merece saber, não merece que esses assuntos sejam escondidos debaixo do tapete", afirmou.
Paralelamente, a campanha de Camilo Pérez promete obter 300 milhões de dólares em financiamento internacional para reestruturar as finanças da capital. Em entrevista à emissora GEN, o assessor financeiro César Addario afirmou que já existem fundos comprometidos em Nova York para refinanciar a dívida atual da cidade e captar recursos adicionais. A informação foi divulgada pelo jornal Hoy, que apresentou os detalhes do plano econômico.
O plano financeiro, conforme detalhado por Addario, propõe substituir títulos de dívida local, que pagam juros de 18%, por empréstimos internacionais a 6,3%, gerando uma economia de 12 milhões de dólares em juros ao longo de uma década. A operação incluiria um ano de carência e nove anos pagando apenas juros, com emissão de bonds internacionais sem garantia do Estado num prazo de 14 semanas após a posse.
Além do refinanciamento, a estratégia apresentada inclui cobrar dívidas do governo central com a prefeitura, promover uma Lei de Capitalidade que garanta recursos anuais para infraestrutura e implementar um plano de eficiência de gastos internos. Addario argumentou que o recente grau de investimento obtido pelo Paraguai permite acessar crédito barato no mercado internacional.
