Capitão denuncia promotor Aldo Cantero por acelerar acusação em disputa por rebocadores; promotor nega

O advogado Eduardo Bernal, representando dois capitães, denunciou o promotor Aldo Cantero por supostamente apressar uma acusação sem provas em um caso de apropriação de rebocadores. Cantero nega as alegações e afirma que o caso já foi enviado a julgamento.

Uma disputa legal e criminal pela posse de dois rebocadores de barcaças envolve uma denúncia contra o promotor Aldo Cantero, que teria acelerado uma acusação contra dois capitães, segundo informações do jornal Ultima Hora. O advogado Eduardo Bernal, que representa os capitães Andrónico Rolón e Carlos Santos, alega que Cantero, atuando interinamente por apenas duas semanas, pediu a abreviação do prazo para apresentar a acusação e a formalizou sem incluir evidências de coação.

O caso começou com um contrato de aluguel dos rebocadores Orgullo e Ko’eti, em 2023, entre a proprietária Naviera Cono Sur e a empresa HyA SA, representada pelo armador Francisco Vera Figueredo. Em 5 de abril de 2024, a proprietária rescindiu o contrato unilateralmente, apesar de uma adenda que prorrogava o acordo até 2026. Bernal afirma que foram feitas melhorias avaliadas em cerca de USD 800.000, não reconhecidas pela empresa.

Após a rescisão, a proprietária contratou outro capitão para recuperar as embarcações, mas os capitães se recusaram a entregá-las, alegando uma medida cautelar de inamovibilidade do Juizado de Lambaré. A Prefeitura Geral Naval foi chamada. A acusação original, apresentada pela promotora Andrea Vera em 21 de fevereiro de 2025, imputou apropriação, coação e exposição ao perigo no trânsito fluvial a Vera e aos capitães.

Bernal denuncia que, quando o caso chegou a Cantero, este pediu o adiantamento do prazo para apresentar a acusação, sem esperar a decisão da juíza. “Faltava menos de um mês para a data de acusação e Aldo Cantero pede ao Juizado o adiantamento e ele não espera que a juíza resolva, já acusa e sai da causa. Entrou só para isso, para acusar e sair”, disse Bernal ao Ultima Hora. Ele também afirmou que não foram realizadas perícias técnicas e que a suposta coação “não consta em nenhuma ata”.

O promotor Aldo Cantero, por sua vez, nega as acusações. “Está tudo no material probatório e já foi elevado a julgamento, ou seja, passou por um Juizado Penal de Garantias”, declarou. Ele afirmou que atuou por seis anos na Unidade Barrial 5 e que frequentemente interinava causas quando havia recusação. “Com 100% de segurança digo que esses delinquentes cometeram a coação e eram pressionados para não dizer nada”, acrescentou, citando supostas remoções de GPS para cometer ilícitos com combustíveis, embora isso não conste na acusação.

O caso agora está para julgamento oral, com a promotora Maricel Orihuela ratificando a acusação na audiência preliminar.