O presidente do Congresso paraguaio, Basilio 'Bachi' Núñez, declarou que a sentença contra o ex-senador Erico Galeano e a ordem de prisão preventiva no Centro Nacional de Prevenidos (ex-Tacumbú) derrubam o discurso de que o Poder Judiciário é controlado pelo cartismo. 'Isso deixa por terra o discurso de um Poder Judiciário cartista. Para os setores que dizem que o Judiciário é manejado pelo cartismo, aí têm outro exemplo', afirmou Núñez, antes da sessão legislativa desta quarta-feira (20).
O senador destacou que, enquanto alguns políticos acumulam dezenas de denúncias e se candidatam à Presidência, outros estão presos. Questionado sobre suposta pressão dos Estados Unidos no caso, Núñez respondeu que o Paraguai é um país soberano e que a justiça fez seu trabalho. Ele também elogiou Galeano por não ter recorrido da condenação em primeira instância, o que permitiu a rápida confirmação pelo Tribunal, embora a sentença ainda não tenha transitado em julgado.
Paralelamente, a Controladoria-Geral da República (CGR) abriu sumário administrativo contra o ex-senador Javier 'Chaqueñito' Vera por não apresentar sua Declaração de Bens e Rendas (DD.JJ.) no prazo legal de 15 dias após sua destituição. Vera justificou o atraso com o estresse do processo de expulsão e disse que está sendo assessorado para regularizar a situação. Armindo Torres, diretor de Declarações Juradas da CGR, explicou que a multa agora é calculada sobre o salário do funcionário — no caso, o subsídio de senador, de cerca de 32 milhões de guaranis — e pode variar de 20% a 100%, com acréscimo progressivo por dia de atraso. Os ex-senadores Erico Galeano e Hernán Rivas, que também perderam suas cadeiras, deverão apresentar suas declarações para evitar a mesma sanção.
Na disputa interna do Partido Colorado pela prefeitura de Assunção, o pré-candidato Camilo Pérez (Honor Colorado) acusou a dissidência, liderada pela senadora Lilian Samaniego e seu irmão Arnaldo Samaniego, de tentar 'sujar o campo' com pedidos extemporâneos de auditoria nas máquinas de votação. Pérez afirmou que o processo é transparente e que as auditorias oficiais ocorreram de 1º a 27 de fevereiro, com participação aberta a todos os partidos. O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSJE), Jaime Bestard, confirmou que a instituição manterá portas abertas para esclarecer dúvidas técnicas, mas foi taxativo ao afirmar que o cronograma eleitoral não será alterado.