A união física do novo ponte internacional que conecta Paraguai e Brasil sobre o rio Paraguai foi concluída na noite de quarta-feira, marcando um marco crucial para o Corredor Bioceânico. A conexão entre Carmelo Peralta, no Chaco paraguaio, e Puerto Murtinho, no estado brasileiro de Mato Grosso do Sul, foi finalizada com o lançamento do concreto nos últimos cinco metros que separavam as duas margens.
Os trabalhos de concretagem, que haviam sido adiados durante o dia devido a fortes ventos, foram concluídos por volta das 22h. O engenheiro René Gómez, responsável pela obra, supervisionou a operação que culminou quatro anos de construção, iniciada com trabalhos de limpeza em 2022. A obra, um ponte atirantado com 1.294 metros de extensão total, tem um vão central de 632 metros, um dos maiores da América do Sul para este tipo de estrutura.
A ministra de Obras Públicas e Comunicações (MOPC), Claudia Centurión, confirmou a conclusão do marco e destacou o impacto transformador da infraestrutura. "Não somente vai permitir que a América Latina esteja mais perto da Ásia, mas que esteja mais integrada", declarou. Ela enfatizou os benefícios para o comércio, logística, turismo e o desenvolvimento do Chaco paraguaio, prevendo que a obra reposicionará o país estrategicamente na região.
O projeto, financiado pela margem paraguaia da Itaipú Binacional com um custo superior a 100 milhões de dólares, contou com mais de 90% de mão de obra paraguaia. A estrutura está equipada com sistemas modernos de monitoramento para vigiar em tempo real deformações, vibrações e condições climáticas.
Um ato oficial para comemorar a união física está previsto para a próxima quinta-feira, 23 de julho, com a presença confirmada do presidente paraguaio, Santiago Peña. A participação do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, ainda não foi confirmada. Após a cerimônia, os trabalhos continuarão com a pavimentação do tabuleiro do ponte, prevista para setembro, e a finalização dos acessos, com conclusão esperada para fevereiro de 2027.
O Corredor Bioceânico, do qual o ponte é uma peça fundamental, visa criar uma rota logística de mais de 3.200 quilômetros ligando o porto de Santos, no Atlântico brasileiro, aos portos chilenos no Pacífico, dinamizando o comércio internacional com a Ásia e fomentando a integração regional.
