Em meio ao forte impulso propagandístico oficial e midiático sobre data centers e inteligência artificial, o Paraguai precisa de uma estratégia inteligente e não cair no encantamento, alerta o jornal Ultima Hora em análise publicada em 14 de maio de 2026. O artigo sustenta que, embora projetos de data centers hiperescalares prometam investimentos bilionários, seu alto consumo energético, baixo impacto em empregos qualificados e limitado valor agregado local representam riscos estruturais para o desenvolvimento nacional.
Segundo a publicação, data centers de IA são desejáveis, mas sob uma política seletiva de atração de centros de médio porte e especializados, orientados a serviços de inteligência artificial aplicada, inferência, nuvem regional e serviços corporativos. Esses centros demandam entre 5 e 40 MW. O artigo diferencia data centers de inferência dos de treinamento, defendendo que a tarifa para estes últimos seja maior, com limite de potência contratada de no máximo 100 MW e exigência de autogeração para potências adicionais.
O Ultima Hora elogia o quadro tarifário estabelecido pelo Decreto 5307/26 para PtX (Power-to-X – energias renováveis), considerando-o acertado, embora critique a limitação da potência máxima contratável. A tarifa mais baixa para esse grupo gerou protestos e reclamações, que o artigo refuta. A chave, argumenta, não é exportar energia verde, mas convertê-la em indústria verde nacional. “O Paraguai não deve escolher entre bytes ou moléculas; deve escolher entre extrativismo ou desenvolvimento”, afirma o texto.
O jornal apresenta um quadro comparativo (não reproduzido na íntegra) que, segundo ele, evidencia que as indústrias PtX são as mais benéficas para o país, enquanto os data centers de treinamento de IA são considerados “puro extrativismo”. O artigo rebate as acusações de que a tarifa reduzida para PtX seria um subsídio perigoso para as finanças da ANDE. A explicação qualitativa é que vender 40 MW a um único grande consumidor tem custo zero para a ANDE: sem investimento em infraestrutura, sem perdas, sem operação e manutenção, sem comercialização, com depósitos de garantia e morosidade zero. Em contraste, abastecer uma cidade de 80 mil habitantes com os mesmos 40 MW (exemplo de Clyfsa Villarrica) envolve custos elevados de redes de alta, média e baixa tensão, perdas técnicas e furtos, manutenção, atendimento a reclamações e faturamento de milhares de contas.