O Paraguai enfrenta um enorme descompasso entre o número de pessoas em prisão domiciliar e a capacidade de monitoramento eletrônico. De acordo com o comissário Rafael Candia, diretor do Centro de Segurança da Polícia Nacional, atualmente apenas 123 tornozeleiras eletrônicas estão em funcionamento no país, enquanto cerca de 9.800 pessoas cumprem prisão domiciliar determinada pela Justiça.
Em entrevista à rádio Monumental, Candia explicou que, desde o início do programa-piloto, no final de 2025, aproximadamente 230 pessoas já foram beneficiadas com o dispositivo. O país dispõe de 2.000 tornozeleiras, mas a maioria ainda não foi colocada em uso. “Temos 2.000 como plano-piloto e depois seguramente vai aumentando”, afirmou.
Cada tornozeleira é monitorada por 150 agentes, distribuídos em turnos, e possui bateria com autonomia de 48 horas, além de um sistema de comunicação integrado. “Nunca se retira a tornozeleira; só nós temos as ferramentas para desconectá-la”, destacou Candia.
O ministro do Interior, Enrique Riera, reconheceu, durante uma conferência em Mburuvicha Róga, que muitas pessoas que estão em prisão domiciliar não deveriam estar encarceradas, citando casos de estelionato ou acidentes de trânsito. “Temos 9.800 pessoas com prisões domiciliares, que são aquelas que o juiz determina que um processado vá para casa aguardar o processo. Teoricamente, isso implica que a Polícia tem que destinar efetivos para vigiar que ele fique em casa”, disse Riera.
O ministro anunciou que o governo está desenvolvendo um sistema de controle em tempo real para essas pessoas, inspirado em um modelo já utilizado no Uruguai, que funciona por meio de celulares. A iniciativa visa reduzir a sobrecarga policial e garantir o cumprimento das medidas judiciais.