Operação Omega: advogado é preso em Santa Rita por suspeita de venda de material de abuso sexual infantil via criptomoedas

Um advogado foi detido nesta segunda-feira (18) em Santa Rita, Alto Paraná, durante a Operação Omega, ação internacional contra exploração sexual infantil. Ele é suspeito de armazenar, distribuir e comercializar material de abuso sexual infantil, recebendo pagamentos em criptomoedas. A investigação, que começou em 2019, analisou mais de 35 mil arquivos e pode levar a novas prisões no exterior.

Um advogado identificado como Willian de Souza foi preso na manhã desta segunda-feira (18) em Santa Rita, departamento de Alto Paraná, durante a Operação Omega, um esforço conjunto de nove países contra a exploração sexual infantil em ambientes digitais. A detenção ocorreu por volta das 6h30, em uma residência na cidade, sob coordenação da promotora Ruth Karina Benítez, do Departamento Especializado em Investigação de Crimes Cibernéticos da Polícia Nacional e da Oficina Regional de Alto Paraná.

Segundo as autoridades, o suspeito vinha sendo monitorado desde 2019 por meio de análise técnica e vigilância cibernética. Durante o período, foram analisados mais de 35 mil arquivos relacionados ao caso. Os investigadores detectaram que o material de abuso sexual infantil era baixado, armazenado e posteriormente vendido, com pagamentos recebidos em criptomoedas — um diferencial em relação a outros casos semelhantes.

O comissário Diosnel Alarcón, chefe de Crimes Cibernéticos e Delitos Informáticos da Polícia Nacional, explicou que a investigação se baseou em relatórios de carteiras de criptoativos, que indicavam vendas e cobranças pelos conteúdos ilícitos. “Os indícios já fundamentados são os downloads dos conteúdos e a comercialização recebendo o pagamento”, afirmou Alarcón em entrevista à rádio Monumental 1080 AM.

Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, foram confiscados equipamentos de informática, dispositivos de armazenamento digital, telefones celulares, cartões SIM e documentos considerados relevantes para a investigação. Todo o material passará por perícia forense digital para identificar arquivos, comunicações e outros elementos que possam corroborar os fatos.

A promotora Rocío Gómez, que também participou da operação, destacou que a detenção foi baseada em relatórios de carteiras de criptoativos. O caso envolve uma família com recursos financeiros, segundo Alarcón, e a investigação pode desencadear procedimentos internacionais, já que foram identificados outros envolvidos no exterior. A Operação Omega é uma ação coordenada entre organismos especializados de nove países para combater a exploração sexual infantil em ambientes digitais.