A cor da água da Lagoa de Cateura muda conforme a tinta descartada pela fábrica Ñamopu'ã Paraguay, localizada a poucos metros do local. A denúncia é feita pelo morador Armando Vera, em nome dos vizinhos do bairro Santa Librada, que já estão cansados de ver seus pedidos ignorados tanto pela Prefeitura de Assunção quanto pelo Ministério do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Mades).
Vera afirmou que os responsáveis pela empresa costumam receber a visita de fiscais dessas instituições após as denúncias, mas a situação se repete logo em seguida. “Realmente não lhes importa, porque eles têm como rotina o fato de que, se vêm inspecionar, simplesmente dão um envelope aos controladores e tudo acaba em nada. Não têm medo e vão continuar fazendo porque não há sanção, não há controle rigoroso por parte das autoridades municipais e principalmente do Mades”, declarou o morador.
Além da fábrica, os resíduos do aterro sanitário de Cateura também contribuem para a poluição do local, que deveria ser uma área de lazer para a comunidade. “A verdade é que é constante, infelizmente o município não faz nada. Esta é uma lagoa muito bonita que pode ser melhorada, limpa; há também um aterro um pouco mais adiante que despeja lixo, resíduos plásticos, que ficam na margem da lagoa”, acrescentou Vera.
A contaminação também afeta os moradores que pescam na lagoa, onde cada vez mais frequentemente encontram peixes mortos, que eles mesmos retiram. A situação persiste apesar das repetidas queixas às autoridades competentes, que até agora não resultaram em ações concretas.