No Dia das Mães, 15 de maio, a tradição paraguaia é reunir a família para homenagear as mulheres que deram à luz. Mas para dezenas de mães que vivem no albergue do Hospital Pediátrico Niños de Acosta Ñu, a data é passada longe de casa, ao lado de outras mulheres que compartilham a mesma luta pela saúde dos filhos. Segundo reportagem do ABC Color, cerca de 50 mães estão abrigadas no local, muitas delas vindas do interior do país.
Ana, natural de Encarnación, está há quase três anos no albergue acompanhando a filha Suelí, de 15 anos, que recebe tratamento oncológico. “Praticamente faz três anos que estamos em tratamento e sempre nos quedamos, já que somos do interior e não podemos ir e vir a cada oito dias, é muito difícil”, relatou ao jornal. Ela conta que a rotina foi se normalizando com o apoio das outras mães e das profissionais de saúde. “O primeiro ano passei muito mal, mas graças a Deus ainda estamos lutando até onde se pode, só Deus sabe. Aqui nos apoiamos passando o dia, conversando, compartilhando; não é a mesma coisa que estar em casa com a família, mas se passa bem porque temos o apoio, seja das mamães ou das licenciadas que não nos deixam”, disse.
Outra mãe, Silvia, também de Encarnación, acompanha o filho de 16 anos, diagnosticado com astrocitoma intramedular há cerca de três anos. Ela conta que a evolução tem sido positiva, mas o menino ainda tem afetação em um dos pés, exigindo visitas periódicas ao hospital. “É um menino normal, vai à escola, está no segundo ano do ensino médio, compartilha em casa com os amigos, aqui com os meninos que estão, assim como nós, as mães, compartilhamos, levamos o dia, nos organizamos”, afirmou. Silvia lembra que no início precisou ficar seis meses seguidos no albergue, uma mudança radical na rotina da família, mas que hoje já se adaptou.
O albergue do Hospital Pediátrico Niños de Acosta Ñu é um centro de contenção que pode abrigar até 70 familiares de pacientes internados. A infraestrutura inclui quartos, cozinha e lavanderia; o primeiro andar é reservado para pacientes oncológicos e cardiológicos com seus pais, e o segundo andar oferece dormitórios compartilhados para quem tem filhos em terapia intensiva. Além do abrigo, o espaço oferece áreas climatizadas, salas de jogos e capacitação em ofícios para as mães durante estadias prolongadas, além de garantir a escolaridade das crianças por meio de uma escola hospitalar. O ABC Color destaca que o albergue é uma peça importante do sistema de saúde, permitindo que famílias de baixa renda de todo o país mantenham o acompanhamento constante aos filhos em tratamentos complexos.