A Diretoria Nacional de Contratações Públicas (DNCP) do Paraguai ordenou a abertura de um processo administrativo contra a empresa catariana Doha Holding Group LLC, ligada a Alejandro Domínguez Pérez, e seus representantes, após o escandaloso descumprimento de um contrato milionário com a Petróleos Paraguayos (Petropar). A decisão, formalizada pela Resolução N° 1259/26, de 13 de maio, e assinada pelo diretor da DNCP, Agustín Encina, visa apurar as responsabilidades pelo fracasso do fornecimento de diesel.
O contrato, avaliado em mais de US$ 61 milhões, previa a entrega de 100.000 toneladas métricas de diesel. No entanto, a Doha Holding não cumpriu com suas obrigações, mesmo após a Petropar ter concedido dez prorrogações. A estatal paraguaia rescindiu o acordo em 20 de abril e executou a garantia de fiel cumprimento de US$ 3.050.000, emitida pelo Banco Continental, em 28 de abril, oito dias após a formalização da rescisão, conforme noticiado pelo ABC Color.
Além da Doha Holding, o processo administrativo inclui Mohammed Hussein Alquzweeni, Khalifa bin Hamad Al-Thani, Julio Ernesto Jiménez Granda, Saad Doukali, Jamal Bendaoui e Nimr Abdalati. A advogada Tessa Lima foi designada como juíza instrutora para conduzir o sumário administrativo, que busca determinar se as condutas dos envolvidos se enquadram nas infrações previstas na Lei N° 7021/22 “De Suministro y Contrataciones Públicas”.
Agustín Encina explicou ao ABC Color que, embora Alejandro Domínguez Pérez apareça nos registros como representante da empresa no portal da DNCP, ele não teve participação no processo contratual. A análise dos documentos enviados pela Petropar e informações adicionais solicitadas pela DNCP confirmaram sua ausência de envolvimento direto na tramitação do contrato.
A empresa catariana e os indivíduos sumariados estão sujeitos a sanções que podem incluir multas, advertências ou inabilitações, dependendo da gravidade da falta, conforme a Lei N° 7021 de Contratações Públicas. A legislação também prevê que as sanções possam atingir pessoas físicas vinculadas às empresas, como diretores, administradores ou beneficiários finais, para evitar a elusão de penalidades.
O contrato com a Doha Holding gerou controvérsia desde o início. A garantia de fiel cumprimento, no valor de US$ 3.050.000, foi emitida apenas em 29 de dezembro de 2025, mais de um ano após a assinatura do contrato em 30 de setembro de 2024. Inicialmente, a Doha Holding havia apresentado apenas uma declaração jurada e um documento em árabe do Qatar International Islamic Bank como garantia. O xeque Khalifa Hamad Al-Thani, que figura como representante legal da empresa, foi incorporado após observações da DNCP.
A sede local da empresa foi estabelecida no escritório de advocacia Jiménez Balbiani & Asociados, de propriedade de Julio Jiménez, irmão da diretora jurídica da Conmebol, Monserrat Jiménez. Documentos indicam que Julio Jiménez autorizou a assinatura de algumas adendas em nome da empresa, apesar de não figurar formalmente como tal no portal da DNCP, e agora está sendo sumariado por este fato.
Durante a administração anterior da Petropar, sob a liderança de Eddie Jara, o acordo foi defendido com o argumento de que o preço ofertado – US$ 610 por tonelada métrica – permitiria uma economia significativa em comparação com os valores internacionais. No entanto, o valor foi questionado desde o anúncio por ser considerado irreal frente às cotações de mercado.