A Entidade Binacional Yacyretá (EBY) conseguiu superar a contingência financeira que paralisou obras e pagamentos a fornecedores, segundo reportagem do jornal paraguaio Ultima Hora. O alívio veio após a assinatura de um acordo operacional com o governo do presidente argentino Javier Milei, que entrou em vigor em junho de 2025.
Federico Vergara, chefe financeiro da margem paraguaia, afirmou que a Argentina está cumprindo o pagamento da tarifa de cobrança efetiva de USD 28 por MWh entregue, o que permitiu à EBY saldar compromissos antigos, como dívidas com contratistas das obras das costaneiras de Encarnação (2012-2014) e obrigações financeiras com bancos.
A administração reduziu os gastos gerais de uma média de USD 34 milhões (2022) para cerca de USD 19 milhões (2025), gerando uma economia anual de aproximadamente USD 15 milhões por meio de um rigoroso “aperto de cinto”.
No projeto de maquinização do braço Aña Cuá, a EBY investiu mais de USD 100 milhões de recursos próprios entre 2024 e março de 2026, com estimativa de custo final de USD 600 milhões. Vergara destacou a chegada de equipamentos eletromecânicos da empresa Rieder para a reparação do parque gerador, considerada “prioritária” após anos de descuido técnico.
Apesar da melhora, o problema estrutural persiste: a falta de uma tarifa definitiva aprovada pelos Congressos do Paraguai e da Argentina. “Estamos em um limbo esperando que o Congresso Argentino em algum momento trate a Nota Reversal 2-2017. Enquanto isso, trabalhamos na revisão e atualização desses números sobre o balanço de 2025”, explicou Vergara.
O gerente financeiro reconheceu que a EBY poderia funcionar com cerca de 1.200 funcionários, menos que o atual quadro, mas defendeu que os altos salários e benefícios são regidos por normas binacionais. A reestruturação financeira permitirá reduzir o pessoal e evitar novas contratações em massa.