O economista Luis Rojas questiona a contradição entre o discurso oficial que destaca o crescimento econômico do Paraguai e as dificuldades fiscais reconhecidas pelo governo, em uma análise publicada na revista Acción.
Rojas afirma que o governo de Santiago Peña mantém um modelo econômico que favorece a classe política e preserva privilégios, sem conseguir corrigir as profundas desigualdades sociais do país. "A economia do país em 2025 se caracterizou pelo continuismo, pela conservação no tempo de estruturas, leis e políticas impostas ao Paraguai pelos grupos de poder econômico e político durante vários anos. Constitui a continuidade das estruturas sociais injustas e excludentes, herdadas de violentos processos históricos", declarou.
Entre as fragilidades apontadas estão a baixa capacidade de arrecadação do Estado, a precariedade dos serviços públicos, a informalidade laboral e a crescente dependência do endividamento. O economista destaca que, embora o Paraguai promova vantagens como impostos baixos, energia abundante e mão de obra barata, o país recebeu em 2024 apenas USD 400 milhões em investimento estrangeiro direto, equivalente a 0,2% do total captado por América Latina e Caribe. No mesmo período, o Chile recebeu USD 12.521 milhões (6,6%), o Peru USD 6.799 milhões (3,6%) e o Brasil, o maior receptor da região, USD 71.070 milhões (37,6%).
Segundo dados do Ministério de Economía y Finanzas (MEF), a dívida pública do Paraguai alcançou nível histórico e, no primeiro quadrimestre de 2026, já atingia USD 21.781,2 milhões, representando 36,2% do Produto Interno Bruto (PIB). O montante implica um aumento de 6,5% em quatro meses, ou USD 1.333,3 milhões a mais em termos nominais, em comparação com os USD 20.447,9 milhões de dezembro do ano passado. Na comparação interanual, o crescimento chega a USD 2.717,2 milhões, ou 14,2%, frente aos USD 19.064 milhões de abril de 2025. Apenas em abril, a dívida expandiu-se em USD 396,9 milhões.
A dívida externa responde por USD 18.325,6 milhões, ou 84,1% do total, com crescimento de USD 940,1 milhões nos primeiros quatro meses do ano, enquanto a dívida interna soma USD 3.455,6 milhões (15,9%). O relatório oficial mostra forte dependência de compromissos em moeda norte-americana: dos USD 21.781,2 milhões devidos, USD 15.421,2 milhões estão em dólares, o que representa 70,8% do total. O restante está dividido entre USD 5.891,4 milhões em guaranis e USD 468,5 milhões em outras moedas.
Apesar do aumento constante, o MEF sustenta que o nível da dívida continua manejável e que ela "constitui uma das fortalezas com que contam as finanças públicas" em comparação com os países da região. O ministro de Economia, Oscar Lovera, afirmou que os níveis atuais são "controlados".
