A Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) do Paraguai considera postergar a atualização das tarifas residenciais e comerciais até que as negociações com o Brasil sobre o novo Anexo C do Tratado de Itaipu sejam concluídas, previstas para meados deste ano. O presidente da estatal, engenheiro Félix Sosa, afirmou que a tarifa final dependerá diretamente desse acordo binacional, que definirá o preço da energia gerada pela hidrelétrica.
Itaipú
Central hidroeléctrica binacional ubicada en la frontera entre Paraguay y Brasil.
O consumo de eletricidade no Paraguai cresceu 21% nos primeiros quatro meses de 2026, impulsionado por criptomineração e centros de dados de IA. A ANDE precisa de US$ 600 milhões por ano, mas investe apenas metade disso. Engenheiros alertam que a demanda já supera as previsões para 2027 e que, sem acelerar obras, regiões podem sofrer com falta de energia a partir de 2029.
O anúncio de investimentos bilionários em centros de dados de inteligência artificial no Paraguai, em parceria com Taiwan, é uma oportunidade histórica, mas o país precisa resolver urgentemente os gargalos da rede elétrica e planejar sua matriz energética de longo prazo, alerta o doutor Victorio Oxilia Dávalos, especialista em energia.
O país vê deterioração macroeconômica, com déficit estrutural acima de 2% do PIB e esgotamento dos motores de crescimento: força de trabalho e energia hidrelétrica. Especialistas apontam necessidade de reformas profundas e compromissos críveis.