O Paraguai enfrenta um quadro de crescente vulnerabilidade macroeconômica, com o agravamento do déficit fiscal estrutural e o esgotamento dos dois principais motores do crescimento das últimas duas décadas: a expansão da força de trabalho e a disponibilidade de energia das hidrelétricas de Itaipú e Yacyretá.
Segundo análise recente, os ingressos ordinários do Governo Central já não cobrem os gastos permanentes, devido ao aumento desordenado das despesas nos últimos anos. O déficit fiscal estrutural supera 2% do PIB, tornando inalcançável o teto de 1,5% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. Além disso, lacunas na Lei de Administração Financeira Pública permitem um sub-registro na execução orçamentária, com dívidas a fornecedores não refletidas nos relatórios oficiais, o que compromete a credibilidade fiscal e pode levar as agências de classificação de risco a retirar o grau de investimento do país.
No front do crescimento, a força de trabalho cresce apenas 1,5% ao ano desde 2018, com 45 mil novos ingressantes anuais, bem abaixo da década anterior, segundo a Encuesta de Empleo do INE. As projeções populacionais indicam que essa tendência se agravará. Paralelamente, organizações especializadas alertam que os excedentes de potência de Itaipú e Yacyretá se esgotarão por volta de 2030, prazo que pode ser antecipado com a instalação de centros de dados promovidos pelo governo. Embora existam opções de ampliação da oferta, como a energia solar, os marcos regulatórios atuais não favorecem o investimento privado e os prazos de execução de projetos são longos.
Diante desse cenário, o plano de crescimento econômico elaborado pela consultoria McKinsey para o Ministério da Indústria e Comércio (MIC) propõe uma evolução do modelo baseado em exportações, com foco em produtividade, diversificação produtiva, valor agregado e maior intensidade de capital e inovação. Contudo, para financiar investimentos em infraestrutura, educação e saúde, serão necessários mais recursos, o que exige conversas sérias entre líderes políticos, empresariais e da sociedade civil.
A análise ressalta que a má experiência com o uso de recursos públicos nas últimas duas décadas demanda compromissos críveis: punições severas à corrupção, mecanismos rigorosos de austeridade e priorização, uma reforma profunda da Caja Fiscal e do sistema de seguridade social, eliminando privilégios setoriais, além de planos de reforma que especifiquem os recursos adicionais necessários e ajustes tributários para obtê-los, com um plano de endividamento sustentável para infraestrutura.