Carne bovina paraguaia cai 25% no 1º quadrimestre, enquanto avicultura celebra abertura dos Emirados Árabes

Paraguai registra queda de 25% nas exportações de carne bovina entre janeiro e abril de 2026, contrariando tendência de alta no Mercosul. No mesmo período, o setor avícola comemora a abertura do mercado dos Emirados Árabes Unidos, após recente habilitação de Taiwan, e projeta superar 15 mil toneladas exportadas nos próximos anos.

Exportação de carne paraguaia cai 25% no primeiro quadrimestre, contrariando tendência regional
Exportação de carne paraguaia cai 25% no primeiro quadrimestre, contrariando tendência regional

O mercado internacional de carne bovina viveu um cenário expansivo no primeiro quadrimestre de 2026, com crescimento de 4,8% nas exportações globais e alta de 8% no Mercosul. O Paraguai, no entanto, seguiu na contramão: os embarques de carne bovina caíram 25% em volume, totalizando 87.899 toneladas, ante 116.997 toneladas no mesmo período de 2025. O país foi o que mais recuou proporcionalmente dentro do bloco regional.

Enquanto Brasil (alta de 15%) e Argentina (11%) impulsionaram o crescimento do Mercosul, o Paraguai viu suas exportações encolherem. O Uruguai também registrou queda, mas mais moderada, de 14%. Apesar da retração no volume, o valor médio por tonelada subiu 17%, para US$ 6.579, impulsionado por preços internacionais firmes. Ainda assim, o desempenho paraguaio ficou abaixo da valorização média regional: Argentina liderou com alta de 35% (US$ 6.644/t), Uruguai subiu 19% (US$ 7.634/t) e Brasil avançou 17% (US$ 5.826/t).

Em contraste, o setor avícola paraguaio vive um momento de expansão. Foi anunciada a abertura do mercado dos Emirados Árabes Unidos para produtos cárneos de aves, após trabalho técnico e diplomático conjunto com o Ministério das Relações Exteriores e a embaixada paraguaia em Abu Dhabi. O país é um dos maiores importadores de carne de frango do Oriente Médio, com compras de cerca de US$ 1,3 bilhão em 2025.

A habilitação ocorre duas semanas após a abertura do mercado de Taiwan, também para carne avícola. O setor está crescendo em produção e conquistando novos destinos. “Em duas semanas habilitamos dois mercados. Isso beneficia o país”, afirmou Néstor Zarza, presidente da Associação de Avicultores do Paraguai (Avipar). A vice-presidente da Avipar, Blanca Ceuppens, projetou que, com os novos mercados, as exportações podem superar 15 mil toneladas nos próximos anos, ante cerca de 9.703 toneladas em 2025.

No primeiro quadrimestre de 2026, as exportações de carne, miúdos e despojos de aves somaram 4.148 toneladas, alta de 21% em volume e 12% em valor (US$ 4 milhões) na comparação anual. Os principais compradores foram Iraque, Filipinas, Angola, Singapura e Curaçao. O setor, no entanto, enfrenta desafios como concorrência com gigantes globais (Brasil e EUA), barreiras tarifárias e necessidade de ampliar capacidade industrial.