Ex-presidente colombiano Iván Duque afirma que narcotráfico está por trás do assassinato do promotor paraguaio Marcelo Pecci

O ex-presidente da Colômbia Iván Duque declarou que bandos narcotraficantes estão envolvidos no assassinato do promotor antimáfia Marcelo Pecci, ocorrido há quatro anos em Barú. Duque acredita que a captura de Sebastián Marset ajudará a encontrar mais evidências e pede que a Justiça paraguaia processe os autores intelectuais.

O ex-presidente da Colômbia Iván Duque (2018-2022) afirmou nesta quarta-feira que organizações narcotraficantes estão "por trás" do assassinato do promotor paraguaio antimáfia Marcelo Pecci, morto a tiros em 10 de maio de 2022 durante sua lua de mel em uma praia da ilha de Barú, no Caribe colombiano.

"Sabemos, claramente, que por trás deste homicídio, deste magnicídio, estão as mãos escuras do narcotráfico", disse Duque em entrevista à emissora de rádio paraguaia Monumental 1080 AM.

O ex-mandatário destacou que a captura na Bolívia e a extradição para os Estados Unidos, em março passado, do suposto narcotraficante uruguaio Sebastián Marset — acusado pela Justiça do Paraguai de liderar uma rede que enviava cocaína à Europa — será decisiva para obter "mais evidências" sobre o crime. "A captura deste narcotraficante Marset vai permitir que se chegue ao fundo de tudo o que há por trás do assassinato do promotor Pecci", insistiu.

Pecci foi assassinado por sicários diante de sua esposa, a jornalista paraguaia Claudia Aguilera. A Justiça colombiana condenou sete pessoas pelo caso, que também resultou em detenções na Venezuela e em El Salvador. Contudo, quatro anos depois, os autores intelectuais do crime que abalou a sociedade paraguaia ainda não foram processados.

Duque, que era presidente da Colômbia na época do atentado, assegurou que entregou ao Paraguai "todo o aporte necessário" para "chegar aos autores intelectuais". "Esperamos que agora a justiça do Paraguai possa levar à prisão os autores intelectuais deste crime, onde muito seguramente vamos nos deparar com vínculos entre o narcotráfico, o contrabando e o crime transnacional", acrescentou o líder opositor de direita.

Em março, o ministro do Interior do Paraguai, Enrique Riera, manifestou sua "convicção particular" de que Marset está "metido" no assassinato de Pecci, embora não tenha apresentado provas. Em entrevista à rádio Ñandutí, Riera apontou que Pecci liderava a equipe que investigava Marset e outros narcotraficantes no âmbito da megacausa antidrogas "A Ultranza PY", a maior da história do Paraguai, e que sua morte tentou enviar "uma mensagem" aos demais funcionários envolvidos na investigação.