O Tribunal de Sentença, presidido por Darío Báez e integrado por Gloria Hermosa e Natalia Cacavelos, deu início nesta quarta-feira (20) ao julgamento oral e público de Óscar Atilio Boidanich Ferreira, ex-titular da Secretaria de Prevenção à Lavagem de Dinheiro (Seprelad). Boidanich é acusado de frustrar a persecução penal e de retardar, por suposto conluio, um informe de inteligência sobre o doleiro brasileiro Darío Messer.
Segundo a acusação formalizada em 11 de junho de 2025, Boidanich e duas funcionárias sob seu comando — a ex-diretora-geral de Análise Financeira, Raquel Cuevas Arzamendia, e a ex-chefe do Departamento de Análise e Processamento de Dados, Melissa María del Mar Parodi González — teriam postergado injustificadamente por dez meses o início de um processo penal contra Messer. Com a manobra, segundo o Ministério Público, perdeu-se a chance de sequestrar ou confiscar bens de origem ilícita.
O papel de Boidanich teria sido central: de acordo com a denúncia, ele respondeu pessoalmente a uma nota enviada por Messer em 31 de outubro de 2016, poucos dias após a abertura da investigação. Após concluir a análise, o ex-titular teria engavetado o caso por quatro meses, só entregando o relatório à Fiscalia em 17 de abril de 2018, depois que o caso veio a público.
As duas ex-funcionárias da Seprelad beneficiaram-se de suspensão condicional do processo após admitirem os fatos. A defesa de Boidanich, a cargo dos advogados Claudio Lovera e César Alfonso, pediu o adiamento da primeira data marcada para 8 de abril, o que foi concedido pelo tribunal. Os fiscais Francisco Cabrera, Jorge Arce e Fernando Meyer representam a acusação.