O senador Rafael Filizzola (PDP) levantou sérias questões sobre as negociações secretas entre o presidente Santiago Peña e o embaixador paraguaio nos Estados Unidos, Gustavo Leite, envolvendo um subsídio de US$ 5 milhões para companhias aéreas operarem a rota Assunção-Miami. A controvérsia surgiu após Leite revelar detalhes dessas conversas, que foram posteriormente desmentidas pela Direção Nacional de Aeronáutica Civil (Dinac), conforme noticiado pelo ABC Color.
Filizzola expressou sua indignação na rede social X, questionando a origem dos US$ 5 milhões e a autoridade de Peña e Leite para negociar tais subsídios como se fossem “donos do nosso dinheiro”. Ele também criticou a aparente incoerência do governo, lembrando que o Ministério da Economia e Finanças (MEF) havia negado menos de US$ 100.000 para salvar vidas de recém-nascidos, enquanto considerava milhões para companhias aéreas.
De acordo com um comunicado de Leite, o governo de Santiago Peña propôs à American Airlines um pacote de “5 milhões de dólares mais benefícios” como apoio fixo para garantir a rentabilidade da rota. No entanto, a American Airlines não aceitou a proposta, levando Leite a buscar outras opções, como a Gol Transportes Aéreos, em fevereiro deste ano, conforme detalhado pelo ABC Color e Ultima Hora.
A Gol Airlines, por sua vez, manifestou interesse em desenvolver a rota Assunção-Miami com um apoio eventual de US$ 300.000 por mês, por um ano, e somente se a rota apresentasse perdas operacionais verificáveis. Leite considerou essa oferta mais vantajosa do que a proposta inicial à American Airlines, que envolvia um valor fixo de US$ 5 milhões, conforme relatado pelo Ultima Hora.
Apesar do entusiasmo inicial de Leite, que chegou a declarar “missão cumprida” após o anúncio da Gol, a Dinac comunicou oficialmente o adiamento dos voos previstos para 8 de junho, com quatro frequências semanais. Essa situação gerou questionamentos sobre a gestão do governo e a comunicação em torno do projeto, como apontado pelo El Nacional.
O chefe de Gabinete Civil da Presidência, Javier Giménez, defendeu a busca por conectividade com os Estados Unidos, afirmando que subsidiar companhias aéreas para gerar turismo é uma “prática comum” globalmente. Ele mencionou que a “economia de guerra” exigia priorização de recursos e que a análise do subsídio à Gol não se mostrou conveniente, estimando o valor em US$ 360.000 por mês por um certo período.
Em contrapartida, Nelson Mendoza, presidente da Dinac, esclareceu que a instituição não pode desembolsar qualquer quantia de dinheiro que não esteja estipulada em seu orçamento. Ele enfatizou que, ao contrário de outros países onde os aeroportos são explorados por capital privado, no Paraguai, tudo está nas mãos do Estado, e qualquer decisão deve seguir as leis da função pública. “Não poderíamos negociar que vamos pagar um milhão, cem mil, mil, nem cem milhões a ninguém”, afirmou Mendoza, conforme o ABC Color.
Leite, que em fevereiro havia anunciado que “o voo direto do Paraguai para Miami é quase um fato”, defendeu sua participação nas negociações, negando ter proposto “hipotecar” bens do Estado e insistindo que apenas conseguiu uma oferta mais conveniente. Ele atribuiu parte do fracasso das negociações ao recente aumento do preço do combustível e lamentou que o Paraguai continue sem uma conexão aérea direta com os Estados Unidos, segundo o Ultima Hora e El Nacional.