Funcionário de confiança de Latorre tem salário multiplicado por cinco em três anos

Germán Jovellanos Noveri, integrante do gabinete do presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, viu seu salário saltar de 2,8 milhões de guarani para 29,5 milhões em menos de três anos, com aumentos ocorridos antes mesmo da obtenção de seu diploma universitário. A Câmara, que hoje conta com 2.523 funcionários, registra 778 novas contratações na gestão Latorre, gerando críticas sobre inchaço e falta de critérios técnicos.

Funcionário de confiança de Latorre tem salário multiplicado por cinco em três anos
Funcionário de confiança de Latorre tem salário multiplicado por cinco em três anos

Germán Jovellanos Noveri, funcionário do gabinete do presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre, teve um aumento salarial meteórico nos últimos três anos. De acordo com dados da folha de pagamento do Ministério da Economia e Finanças, Jovellanos passou de um salário inicial de 2,8 milhões de guarani (quando ainda era funcionário da Presidência) para 5,9 milhões em agosto de 2023, quando Latorre assumiu o cargo. Em novembro do mesmo ano, já recebia 28,2 milhões – um salto de quase cinco vezes – e, desde março de 2026, passou a ganhar 29,5 milhões.

O aumento mais expressivo ocorreu antes mesmo de Jovellanos registrar seu diploma de Administração de Empresas no Ministério da Educação e Cultura (MEC), o que só aconteceu em abril de 2024. A coincidência temporal levanta questionamentos sobre os critérios de promoção na Câmara, especialmente em um contexto em que o Legislativo enfrenta denúncias de nepotismo e contratação de familiares de parlamentares.

A Câmara dos Deputados conta atualmente com 2.523 funcionários, dos quais 778 foram contratados na gestão Latorre. Isso representa uma média de 31 servidores por cada um dos 80 deputados. Apesar de Latorre ter anunciado uma suposta economia de 17 bilhões de guarani em relação a administrações anteriores, funcionários e legisladores admitem que a Casa está superlotada. Entre os cargos de direção, são 168 diretorias e 194 chefias, muitas delas ocupadas por indicações políticas, com poucos profissionais de perfil técnico nas comissões assessoras.

O caso de Jovellanos ilustra um padrão de aumentos sem justificativa clara de mérito, em meio a críticas sobre a falta de transparência e o inchaço da máquina pública no Parlamento paraguaio.