IA transforma produção musical no Paraguai e gera debate sobre autoria

A inteligência artificial está sendo amplamente adotada nos estúdios paraguaios para agilizar a produção musical, enquanto especialistas debatem os desafios para definir a autoria e os direitos autorais das obras geradas com a tecnologia.

IA transforma produção musical no Paraguai e gera debate sobre autoria
Ilustração gerada por IA.

A inteligência artificial já se tornou uma ferramenta cotidiana nos estúdios de gravação paraguaios, transformando a maneira de produzir música. Produtores, compositores e artistas estão incorporando essas tecnologias em seus processos criativos, acelerando etapas que antes demandavam horas de trabalho.

O produtor musical Óscar Sanabria explica que a IA atua como um instrumento adicional, capaz de limpar pistas, afinar vozes, sugerir acordes e até gerar arreglos completos em segundos. "Isso agiliza processos e permite que os produtores se concentrem mais na parte artística do que na técnica", afirma. Ele ressalta que, em vez de substituir, a tecnologia amplia as possibilidades criativas.

Dani Meza, cantante da banda Tierra Adentro, reconhece utilizar ferramentas de IA para gerar maquetes e economizar tempo, mas mantém o processo compositivo totalmente humano. "As experiências pessoais geram emoções, e as emoções geram inspiração. A IA constrói ideias a partir de um prompt, mas sempre existe uma intervenção humana para obter um resultado", destaca.

No campo jurídico, surgem preocupações sobre direitos autorais. David Portillo, presidente da Associação Paraguaia de Autores (APA), adverte que a IA não cria do zero, mas gera produtos a partir de dados extraídos de obras originais protegidas. "O grande desafio é definir quem é o autor de uma obra gerada por IA e como garantir que os autores recebam remuneração justa quando suas obras são usadas para alimentar esses sistemas", explica.

Portillo menciona que a APA acompanha debates internacionais e processos judiciais, como o caso entre a sociedade alemã GEMA e a plataforma Suno, que podem estabelecer precedentes importantes para a regulamentação do setor.

Apesar dos avanços, os especialistas concordam que a capacidade de emocionar permanece exclusivamente humana. Sanabria e Meza enfatizam que a essência humana da música—a interpretação, a emoção e a história por trás de uma canção—não pode ser programada ou replicada integralmente pela tecnologia.

Fontes (1)

Atualizado: 20 de jul. de 2026, 01:30