Indústria paraguaia cresce, mas busca crédito, energia estável e tecnologia para avançar

A indústria paraguaia cresceu nas manufaturas e busca crédito de longo prazo, energia estável, qualificação e tecnologia para ampliar investimentos, empregos e exportações.

Indústria paraguaia cresce, mas busca crédito, energia estável e tecnologia para avançar

A indústria paraguaia chega ao Dia da Indústria Nacional, celebrado em 8 de setembro, com expansão nas manufaturas e uma agenda de investimentos que ainda depende de crédito de longo prazo, energia previsível, qualificação profissional e maior adoção tecnológica.

O ministro da Indústria e Comércio, Marco Riquelme, afirma que as manufaturas de origem industrial cresceram 26% em um ano. Dados do Observatório Laboral do Ministério do Trabalho, baseados na Pesquisa Permanente de Domicílios Contínua do Instituto Nacional de Estatística, registraram 353.031 trabalhadores na indústria manufatureira no segundo trimestre de 2026, o equivalente a 10,8% da população ocupada.

O governo projeta expansão industrial de 3,9% em 2026, acima da média anual de 3,2% registrada na década anterior. Riquelme também informou que as exportações de manufaturados ao Brasil somaram cerca de US$ 1,2 bilhão no ano passado, com impacto estimado em 35 mil empregos. Alimentos, proteínas suína e avícola, têxteis, autopeças, produtos químicos, máquinas e equipamentos estão entre os segmentos priorizados.

A estratégia busca transformar mais matérias-primas dentro do país. Na Indutex, em Lambaré, o fio importado é convertido em tecido, passa por tingimento e chega à confecção de peças. A etapa de produção emprega cerca de 200 pessoas, e a empresa mantém quatro lojas próprias. Em Capiatá, a Enerpy desenvolve processos para converter resíduos em petróleo sintético e gás, iniciativa apresentada como exemplo de economia circular e tecnologia local.

O financiamento é um dos principais entraves. Embora a indústria represente cerca de 19% do Produto Interno Bruto, recebe aproximadamente 7,5% do crédito bancário, geralmente com prazo de um a três anos e foco em capital de giro. O MIC negocia com bancos públicos e privados um produto para investimentos industriais com prazos de até quinze anos, carência compatível com a implantação dos projetos e mecanismos de garantia.

A energia também limita projetos de maior escala. Javier Giménez, chefe do Gabinete Civil e ex-ministro da Indústria, reconheceu que o país ainda não oferece às indústrias eletrointensivas contratos de eletricidade em dólares de médio ou longo prazo, necessários para dar segurança financeira aos investimentos. Ele estimou em US$ 15 bilhões a necessidade de investimentos no setor elétrico na próxima década e afirmou que o Anexo C de Itaipu e a tarifa de energia deverão ser definidos ainda em 2026. Giménez acrescentou que, na matriz energética industrial, cerca de 80% corresponde a biomassa e hidrocarbonetos, e 20% à eletricidade.

Para reduzir a incerteza territorial, o MIC apresentou o Mapa de Inteligência Competitiva, ainda em versão beta. A plataforma reúne dados dos 263 municípios, incluindo indústrias, estradas, fronteiras, energia, logística, mão de obra e centros de capacitação. O sistema registra 20.797 indústrias em 16 setores e deve receber atualizações a partir de contribuições de investidores, governadores e autoridades municipais.

A modernização digital, porém, permanece limitada. Vanessa Cañete, presidente da Câmara Paraguaya de la Industria del Software, afirma que a inteligência artificial é usada sobretudo em redação, atendimento e tarefas administrativas, enquanto aplicações em produção, manutenção, qualidade, abastecimento e logística ainda são pouco comuns. O Índice Latino-Americano de Inteligência Artificial 2025 colocou o Paraguai em 14º lugar entre 19 países, com 31,20 pontos de 100. Já o estudo Travesía 4.0, do Banco Interamericano de Desenvolvimento com a União Industrial do Paraguai, apontou que 17% das indústrias pesquisadas utilizam tecnologias de terceira e quarta geração.

O debate sobre continuidade ganhou espaço em uma reunião de Riquelme com os ex-ministros Javier Giménez, Luis Castiglioni e Liz Crámer e representantes de 25 entidades empresariais. Os participantes defenderam uma política industrial de Estado, capaz de sobreviver às mudanças de governo. Riquelme citou a evolução das exportações sob o regime de maquila, de US$ 100 milhões para US$ 500 milhões, como exemplo de uma política construída ao longo de diferentes administrações.

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Fontes (20)

Atualizado: 9 de set. de 2026, 08:32