A denúncia contra a fiscal adjunta Soledad Machuca, da Unidade Especializada em Delitos Econômicos e Anticorrupção (UDEA), permanece sem análise pelo Jurado de Enjuiciamiento de Magistrados (JEM) desde outubro de 2023. As deputadas Leidy Paola Galeano e Patricia Alexandra Senna, do Partido Cruzada Nacional, acusam Machuca de engavetar a investigação sobre a autenticidade do título de advogado do ex-senador colorado Hernán Rivas Román.
O caso remonta a junho de 2020, quando surgiu a denúncia de que Rivas teria utilizado um título falso para assumir uma cadeira no JEM como representante da Câmara dos Deputados. A acusação contra Machuca aponta que ela não realizou diligências básicas, como verificar se o ex-legislador teve colegas de turma ou se os signatários do diploma sabiam de sua condição de estudante, considerando que a Universidade Sudamericana foi fundada em 2010 e a grade curricular de Direito exige seis anos — Rivas teria se formado em 2013.
“Machuca engavetou uma denúncia que fizemos há 4 anos, 3 meses e 13 dias. Ela omitiu investigar o então deputado Hernán Rivas por suposta produção de documentos não autênticos”, declarou o advogado Federico Campos López Moreira, que patrocina a acusação.
Em agosto de 2025, a denúncia esteve prestes a ser arquivada pelo JEM. A intenção de arquivamento foi barrada por um pedido do ministro da Corte, Manuel Ramírez Candia, que afirmou ter dúvidas sobre o parecer da Direção de Assuntos Legais do órgão. Desde então, o caso não foi retomado.
No âmbito legislativo, a senadora Yolanda Paredes, também do Cruzada Nacional, denunciou em abril deste ano supostas manobras dentro do Ministério Público e do Poder Judiciário que beneficiariam Rivas, recentemente absolvido na causa do título falso. Paredes classificou Machuca como “o monge negro dentro da Procuradoria-Geral do Estado” e afirmou que a fiscal também engavetou denúncias suas contra o ex-prefeito Javier Zacarías Irún e sua esposa.
Segundo a acusação do Ministério Público, Rivas teria cursado Direito na Universidade Sudamericana entre 2010 e 2015, apresentado tese em 2016 e obtido certificado de estudos em 2018. O título de advogado foi expedido em março de 2020 e registrado no Ministério da Educação e Ciências em junho do mesmo ano. A Promotoria identificou que o documento foi usado para que Rivas ocupasse uma vaga no JEM após ser designado pela Câmara dos Deputados em julho de 2020.