O fiscal-geral do Estado, Emiliano Rolón Fernández, promoveu uma troca de cargos no Ministério Público que retirou Soledad Machuca da Unidade de Delitos Econômicos e Anticorrupção (UDEA) e da Unidade de Lavagem de Dinheiro. Pela Resolução 1652, Machuca passa a responder pela Unidade Especializada de Direitos Humanos, Interesses Difusos e Direitos dos Povos Indígenas, além das unidades penais de Execução e de Transição. Quem assume a UDEA e a unidade de lavagem é a fiscala adjunta Nancy Graciela Salomón, que mantém a coordenação dos casos de exploração clandestina de jogos de azar.
A saída de Machuca ocorre em meio a um rastro de expedientes sensíveis que, segundo críticos, ficaram congelados, questionados ou foram arquivados de forma polêmica. A advogada Esther Roa afirmou que, desde sua nomeação em 2018 pela então fiscal-geral Sandra Quiñónez, a gestão de Machuca na UDEA foi marcada por “poucas investigações, escassas imputações e demasiada impunidade”, além de “hermetismo, falta de transparência e desprezo pela sociedade civil e pela imprensa”. Roa pediu que Rolón Fernández determine “uma auditoria imediata sobre essa gestão”.
O advogado Federico Campos López Moreira, que denunciou Machuca por suposta omissão, apontou que, segundo ele, ela teria deixado prescrever o caso do ex-senador Hernán Rivas, denunciado em 2020 por uso de título falso. De acordo com Campos, a investigação só foi reaberta em 2023, quando o crime já poderia ter prescrito. A senadora Yolanda Paredes também criticou Machuca, afirmando que, segundo críticos, ela atuava para “engavetar” (arquivar) casos envolvendo autoridades políticas.
Outros casos mencionados como exemplos de arquivamentos polêmicos incluem a denúncia contra o ex-presidente do IPS Vicente Bataglia, por suposto prejuízo de G. 1,7 bilhão; a desestimação de denúncia contra os fiscais Aldo Cantero e Giovani Grisetti, envolvidos em chats com o advogado de Horacio Cartes; e o arquivamento, por prescrição, de uma denúncia de irregularidades na Prefeitura de Villeta, que envolvia pagamentos sem respaldo de G. 1,288 bilhão. Investigações contra o ex-presidente Horacio Cartes, por supostos vínculos com o cambista Darío Messer, também foram arquivadas durante a gestão de Machuca, segundo críticos.
Nancy Salomón assume a UDEA em um momento de cobranças por transparência e eficácia no combate à corrupção. Setores da sociedade civil e da oposição já pedem uma auditoria independente sobre o trabalho de Machuca, enquanto o Ministério Público não se pronunciou oficialmente sobre as críticas. Até o momento da publicação, não houve resposta oficial de Soledad Machuca.