A promotoria paraguaia apresentou acusações formais contra dois casais da comunidade menonita no departamento de San Pedro, suspeitos de tentar separar à força um jovem casal. As vítimas, David Wiebe Martens, de 20 anos, e Sara Loewen Fehr, de 19 anos, fugiram da Bolívia em janeiro deste ano após a família dela se opor ao relacionamento. O caso expõe um conflito jurídico transfronteiriço: enquanto os tios de Sara enfrentam processo por coação e privação de liberdade em território paraguaio, David está preso aguardando extradição para a Bolívia, onde seus sogros o denunciaram por tráfico de pessoas.
A história começou na colônia Neuland Tunas, no município boliviano de Pailón, onde David e Sara cresceram e iniciaram o namoro. Diante da recusa dos pais de Sara, que supostamente já haviam decidido casá-la com outro homem, o casal migrou para a colônia Río Verde, em Santa Rosa del Aguaray, Paraguai, em 18 de janeiro de 2026. Poucos dias após a chegada, os pais de Sara foram ao local tentar convencê-la a retornar. Como ela recusou, os tios paternos — Johann Loewen Reimer e sua esposa María Friesen Dyck, além de Isak Loewen Reimer e sua esposa Aganetha Klassen de Loewen — teriam levado a jovem sob engano até a fronteira, entregando-a aos pais.
Sara foi internada em 31 de janeiro no Centro Médico Sinapsis, uma clínica psiquiátrica em Santa Cruz de la Sierra. Após semanas, ela conseguiu voltar ao Paraguai com ajuda de David, que a resgatou mesmo sem documentos pessoais. O casal oficializou a união em 26 de abril de 2026. Em resposta, os pais de Sara acionaram a justiça boliviana, obtendo um mandado de captura internacional contra o genro por alegada "subtração mediante enganos" e exploração laboral. No Paraguai, o juiz José Agustín Delmás Aguiar ordenou a detenção de David, executada pela Interpol e pela polícia de investigações de San Pedro.
Paralelamente, o promotor Juan Daniel Benítez Miranda, de Santa Rosa del Aguaray, imputou os quatro tios pelos crimes de coação, privação de liberdade e extrañamiento (deslocamento forçado) de pessoas. A situação cria um paradoxo legal: David pode ser extraditado e preso na Bolívia por causa da oposição dos sogros, enquanto os tios que efetivamente realizaram o traslado forçado podem ser condenados no Paraguai. Sara declarou às autoridades paraguaias que estava com o marido por vontade própria e que as acusações eram montadas pela família para separá-los. David permanece detido no Departamento Judicial da Polícia em Assunção, aguardando transferência para o Centro Nacional de Prevenidos.
