A 'farsa anatômica' do calçado moderno: como sapatos apertados e saltos prejudicam a saúde dos pés

Especialista aponta que a indústria do calçado convenceu milhões de que pés precisam de suporte de arco e formas estilizadas, mas biologicamente isso é uma distorção. Sapatos com bico estreito e salto elevado causam joanetes, fascite plantar e dores na coluna. A solução proposta é a transição para calçados minimalistas, de bico largo e zero drop.

CIUDAD DEL ESTE — A indústria do calçado convenceu milhões de pessoas de que os pés precisam de suporte de arco e formas estilizadas para serem rápidos ou elegantes. Biologicamente, porém, isso é uma distorção estrutural, segundo o colunista Esteban Ross, em artigo publicado pelo portal Noticias CDE.

O pé é a âncora do corpo e o dedão, seu principal estabilizador. Ao caminhar, os dedos deveriam se abrir em leque para absorver o impacto e impulsionar o peso, mas os calçados modernos impedem esse movimento natural. Duas características do calçado convencional são especialmente danosas: a ponta estreita comprime os dedos para o centro, desalinhando o dedão e provocando joanetes, fascite plantar e dores no tornozelo, pois o pé perde a capacidade de equilibrar a perna. Já o salto elevado — presente até em tênis esportivos — encurta permanentemente o tendão de Aquiles e empurra a pelve para frente, gerando dores lombares.

Muitas queixas de joelho ou costas não se devem à idade, mas a pés presos em sapatos que bloqueiam sua função evolutiva, argumenta Ross. A proposta é uma transição gradual para o minimalismo. Não se trata de descartar todo o calçado de uma vez, mas de avançar lentamente. Separadores de dedos de silicone ajudam a recuperar a largura natural do pé e alongar os tendões. Ao comprar novos sapatos, recomenda-se buscar modelos de bico largo, conhecidos como “barefoot”, que permitem liberdade de movimento. E o mais importante: escolher calçados com zero drop, onde o calcanhar está na mesma altura dos dedos, para restabelecer a postura natural. “Liberar os pés é recuperar a base da saúde corporal”, conclui o texto.