Em uma entrevista ao jornal Última Hora, o cardeal Adalberto Martínez Flores, primeiro cardeal do Paraguai, compartilhou sua história de vida e vocação. Nascido em Assunção em 8 de julho de 1951, ele descreve como o chamado de Deus cresceu gradualmente em seu coração, moldado pela família e pelas mudanças constantes.
Filho de Aureliano e Esmeralda, Martínez cresceu com três irmãos — Víctor, Óscar e Gustavo — em meio a frequentes mudanças devido ao trabalho do pai, guarda sanitário no Chaco e em comunidades remotas. "Não tínhamos um lote próprio nem um teto estável; a terra e o teto onde nos fixávamos era a concórdia familiar", recorda.
Após concluir o ensino médio com bacharelado comercial, ingressou na Faculdade de Economia, onde estudou por três anos. Contudo, sentiu o chamado ao sacerdócio e decidiu migrar para buscar novos horizontes. "As renúncias não se vivem como perdas, mas como uma forma de entrega que alarga o coração", afirma.
Foi ordenado sacerdote em 24 de agosto de 1985, por Dom Sean O'Malley, na paróquia La Piedad, servindo na Diocese das Ilhas Virgens por nove anos. Retornou a Assunção e assumiu diversas funções pastorais, sendo nomeado bispo auxiliar de Assunção, primeiro bispo de San Lorenzo, bispo de San Pedro, bispo das Forças Armadas e da Polícia Nacional, bispo de Villarrica e Caazapá e, finalmente, arcebispo de Assunção.
Martínez destaca que nunca buscou cargos: "Cada nomeação foi para mim uma surpresa, vivida sempre como uma chamada do Senhor através da Igreja." Sobre sua nomeação como cardeal pelo papa Francisco, ele afirma que o pontífice tinha "admiração e afeto particular pelo Paraguai e pelos paraguaios".
O cardeal conclui com uma mensagem de confiança: "Não tenham medo, confiem, que Deus conduz a vida mesmo em meio às incertezas."