O Tribunal de Sentença Especializado em Delitos Econômicos, presidido pelo juiz Matías Garcete e integrado por Adriana Planás e Sonia Sánchez, decidiu adiar para 24 de agosto, às 8h, o julgamento oral e público da ex-juíza de Paz de La Catedral 2° Turno Nathalia Guadalupe Soledad Garcete Aquino. O processo, que já havia sido reprogramado para 18 de maio (originalmente previsto para 10 de março), foi novamente adiado devido a recursos pendentes de resolução: uma apelação contra a abertura da causa e uma recusa contra os juízes da Câmara de Apelações, que aguardam manifestação da Sala Penal da Corte Suprema de Justiça.
Além de Garcete, devem ser julgados a atuária Olivia Mosqueda, os advogados Sun Young Bang (da Plan Urbano), José Olmedo e César Bogarín (da Compañía Administradora de Riesgos SA – Carsa), e os oficiais de justiça Óscar Rivela e Cristian Martínez. Também estão pendentes as audiências preliminares para os acusados Alfredo Samudio Benítez e Édgar Fabián Ayala Melo, para quem o Ministério Público pede julgamento por suposta participação no esquema.
Em 20 de novembro de 2025, o Jurado de Enjuiciamiento de Magistrados (JEM) removeu Garcete do cargo, comprovando mau desempenho em processos executivos que causaram “lesão e prejuízo”. O então ministro da Corte, César Garay Zuccolillo, afirmou que as ações da ex-juíza tiveram “consequências nefastas, inclusive exclusões do sistema financeiro sem possibilidade de reinserção”, e que “direitos humanos fundamentais foram violados, com salários indevidamente descontados por atos processuais irregulares”. Garcete é a única juíza de paz removida pelo JEM até agora; outros magistrados, como Analía Cibils e Enmanuel Villalba, seguem em processo.
Segundo a acusação fiscal, entre 2022 e 2024, empresas de cobrança, por meio de seus representantes legais, promoveram ações preparatórias de execução e execuções com base em notas promissórias sem indicação de beneficiário. Os oficiais de justiça deveriam notificar os devedores para reconhecer assinaturas e intimá-los ao pagamento, mas essas notificações e intimações não eram realizadas conforme as constâncias dos autos. Em muitos casos, as intimações e os embargos eram registrados como realizados na mesma data e hora em locais distantes, por funcionários contratados pelas mesmas empresas demandantes.
O Ministério Público detalha que os juízes e ex-juízes acusados “ditaram resoluções judiciais a favor das partes demandantes, torcendo o direito”, sabendo da falsidade das notificações e intimações. As resoluções afirmavam que os devedores haviam sido notificados e não compareceram, permitindo a aplicação da ficção legal de reconhecimento das assinaturas e o avanço do processo executivo. Os advogados então solicitavam ordens de embargo, que eram registradas como cumpridas apenas na aparência, resultando em decisões judiciais violadoras da lei.