Os promotores Belinda Bobadilla, Jorge Arce e Leonardi Guerrero, da Unidade Especializada em Delitos Econômicos e Anticorrupção, formalizaram três novas atas de imputação que ampliam a investigação sobre a rede conhecida como 'máfia dos pagarés'. As acusações incluem prevaricação, produção e uso de documentos públicos falsos.
Segundo a hipótese do Ministério Público, o esquema operou de forma sistemática entre 2022 e 2024 para favorecer empresas de cobrança por meio de embargos expressos baseados em pagarés, deixando milhares de cidadãos desprotegidos.
A primeira imputação decorre de uma auditoria interna que detectou irregularidades em 119 processos do Juizado de Paz de La Catedral, Segundo Turno. A principal denunciada é a ex-juíza Nathalia Guadalupe Garcete Aquino, já removida do cargo pelo Jurado de Julgamento de Magistrados (JEM). Também foram processados os ex-servidores Olivia Mosqueda, Pablo Cabrera, a ex-oficial de justiça Mariam Ortíz e o oficial Víctor Hugo Rotela. Além disso, a Promotoria denunciou os advogados Édgar Fabián Ayala Melo, Juan Alberto Bogado e César Rubén Bogarin Alen, representantes da empresa CARSA, e Sun Young Bang, da Plan Urbano S.A., por suposto envolvimento na tramitação das notificações e instrumentos suspeitos.
Os outros dois casos atingem o Juizado de Paz de La Encarnação, nas causas nº 133/2025 e nº 135/2025. Na primeira, foram auditados 25 processos vinculados à Global Enterprises Paraguay S.A., sendo imputada a juíza titular Carmen Analía Cibils Miñarro como autora de prevaricação, juntamente com os servidores Martina Elsa Rivela Santacruz e Ricardo Ramón Cuevas.
Na segunda causa, após revisão de 654 processos relacionados à PH Sociedad Anónima (Tucumán), foram denunciadas a oficial de justiça Audrey Jazmín Galeano Mora — por certificar notificações falsas simultâneas de impossível realização física — e a advogada corporativa Thalia Desiree Benítez Faría, como instigadora. Como a juíza Cibils Miñarro está suspensa, o Ministério Público já solicitou seu desaforamento.
Após a formalização das denúncias, os promotores pediram de forma unificada a admissão dos processos e a notificação imediata das partes para dar início à etapa preparatória. A Promotoria requereu um prazo de dois meses para apresentar os requerimentos conclusivos definitivos e solicitou medidas alternativas à prisão preventiva, como proibição de saída do país, comparecimento mensal e fianças reais de alto valor.