Mirtha Arias assume Conselho do IPS em meio a promessas de reforma e críticas de segurados

A nova conselheira do IPS, Mirtha Arias, promete combater o desabastecimento de medicamentos e a evasão patronal, mas enfrenta questionamentos de associações de segurados que veem sua nomeação como política e alinhada a interesses patronais.

Mirtha Arias assume Conselho do IPS em meio a promessas e críticas de segurados
Mirtha Arias assume Conselho do IPS em meio a promessas e críticas de segurados

A presidente da Central Unitaria de Trabalhadores (CUT), Mirtha Alzira Arias Noguera, tomou posse nesta terça-feira (19) como membro titular do Conselho de Administração do Instituto de Previsão Social (IPS), em substituição a Víctor Eduardo Insfrán Dietrich, que renunciou ao cargo. A nomeação foi oficializada pelo Decreto nº 6026, assinado pelo presidente Santiago Peña no dia 13 de maio.

Durante a cerimônia, realizada na sede do IPS, Arias afirmou que assume o cargo com o compromisso de ser uma “trabalhadora, honesta e honrada” e destacou sua trajetória de base. “As esperanças estão cifradas em nós para poder melhorar esta casa, este instituto e a saúde dos trabalhadores em geral”, declarou, segundo relatos da imprensa.

A nova conselheira elencou como prioridades o combate ao desabastecimento de medicamentos e a redução da evasão patronal no recolhimento das contribuições previdenciárias, especialmente nas cidades fronteiriças. Ela também mencionou a necessidade de acelerar os processos de licitação e melhorar a atenção à saúde materno-infantil e aos idosos.

“Não pode ser que uma pessoa adoeça hoje e receba um turno para daqui a dois meses. Essa é uma das prioridades”, disse Arias, que também lembrou sua própria experiência como paciente do IPS para reforçar seu compromisso.

Apesar das promessas, a nomeação não foi bem recebida por todos os setores. Julio López, presidente da Associação Nacional de Segurados do IPS, criticou a indicação, afirmando que as cúpulas de algumas centrais sindicais tradicionais frequentemente atuam em consonância com interesses patronais ou governamentais, deixando de lado as necessidades cotidianas dos segurados. “O espaço correspondente aos trabalhadores tem sido historicamente utilizado para negociações políticas”, afirmou López, defendendo mecanismos de eleição mais democráticos e diretos.

A posse ocorre em meio a um cenário de graves denúncias sobre a situação dos hospitais do IPS. No Hospital Regional de Concepção, o presidente do IPS, Isaías Fretes, reconheceu “muitas falências” durante uma visita na quarta-feira (20), incluindo a falta de anestesistas e o desabastecimento de medicamentos. Uma segurada filmou o momento em que cobrava Fretes sobre a escassez na farmácia local.

Já no Hospital Central do IPS, em Assunção, familiares de pacientes denunciaram condições inadequadas no albergue para acompanhantes, como falta de calefação, problemas de higiene e ausência de cobertores. Uma mulher que aguardava o procedimento médico da mãe disse ter gasto 7 milhões de guaranis em insumos que deveriam ser fornecidos gratuitamente pela previsional.

Paralelamente, o Hospital Regional de Caacupé, que não pertence ao IPS mas integra a rede pública de saúde, também enfrenta crise: pacientes relatam longas esperas, falta de medicamentos essenciais como amlodipina e enalapril, e infraestrutura deteriorada, com paredes mofadas e banheiros sem maçanetas. O diretor da Terceira Região Sanitária, Luis Gómez, reconheceu a falta momentânea de remédios, mas afirmou que a reposição foi solicitada.