O Centro de Convenções da Conmebol, em Assunção, recebe nesta quinta-feira, 21 de maio, o painel “Mulheres que constroem: rompendo moldes, edificando realidades”, dentro da 26ª Feira Internacional Constructecnia. O encontro reúne seis referentes do setor público e privado com o objetivo de visibilizar como o protagonismo feminino transforma a economia paraguaia.
Participam do debate a ministra de Obras Públicas e Comunicações, Claudia Centurión; a presidente da Agência Financeira de Desenvolvimento (AFD), Stella Guillén; a ex-ministra do Turismo, Angie Duarte; a presidente do Instituto Paraguaio de Artesanía, Andrea Vázquez; e as arquitetas Paola Moure e Violeta Pérez.
A arquiteta Paola Moure destacou que, embora o setor da construção ainda apresente brechas em obras de grande escala, a incorporação feminina avança em todos os níveis, do design à execução técnica. “Na construção há tarefas que exigem maior esforço físico e por isso costumam ser realizadas por homens. Mas há empresas que já contam com mulheres em suas equipes de obra, executando instalações elétricas, sanitárias ou especiais, porque são mais organizadas e detalhistas”, afirmou. Moure acrescentou que as salas de aula de arquitetura já registram maioria de estudantes mulheres, refletindo uma mudança cultural que se traduz no mercado de trabalho.
A ex-ministra Angie Duarte ressaltou o peso das mulheres na cadeia de valor dos serviços e eventos internacionais, como a própria Constructecnia. “Sempre falei de um turismo com rosto de mulher. Não para excluir ninguém, mas para reconhecer que as mulheres sustentam uma parte enorme da economia turística”, disse. Duarte alertou que nenhum destino cresce sem infraestrutura adequada: “Paraguai tem atrativos extraordinários, mas muitos precisam de investimento para se tornarem produtos turísticos competitivos”.
O acesso das mulheres ao sistema financeiro gera impacto direto no desenvolvimento de empreendimentos, moradia e economia. Dados da AFD indicam mais de 2.600 garantias emitidas pelo Fundo de Garantia para a Mulher (FOGAMU) desde seu lançamento em 2022, resultando em créditos de US$ 55 milhões. A presidente Stella Guillén explicou que essas ferramentas reduzem barreiras históricas, como falta de histórico de crédito ou informalidade. “As mulheres são boas pagadoras, cumprem seus compromissos e fortalecem a qualidade da carteira quando recebem oportunidade. Quando uma mulher acessa financiamento, não impulsiona apenas uma iniciativa pessoal ou empresarial; muitas vezes fortalece toda uma família, gera emprego, dinamiza a comunidade e abre novas oportunidades”, afirmou.
Guillén destacou o valor patrimonial dos créditos habitacionais: “Para muitas mulheres, ter uma casa própria representa também uma ferramenta de autonomia. Significa contar com um ativo, fortalecer sua posição patrimonial e melhorar suas possibilidades futuras no sistema financeiro. Para a AFD, a moradia não é apenas uma linha de crédito; é uma porta de entrada para estabilidade, patrimônio e desenvolvimento para milhares de famílias paraguaias”.
A instituição enfatizou que o desenvolvimento urbano, viário e de serviços deve estar conectado às necessidades reais da população, priorizando transporte seguro e proximidade a oportunidades de trabalho. “A infraestrutura deve ser uma ferramenta para reduzir brechas, não para aprofundá-las”, concluiu Guillén.