Frio e precariedade: familiares de pacientes no Hospital de San Lorenzo clamam por dignidade

Sob uma lona suja e furada, com colchões velhos e cadeiras quebradas, dezenas de familiares enfrentam o frio e a umidade enquanto acompanham pacientes no Hospital Geral de San Lorenzo, o Calle'i. A situação, denunciada por quem passa dias e noites no local, expõe a falta de estrutura do Ministério da Saúde Pública.

O termômetro marcava 13°C na manhã deste sábado (16) quando o repórter Osmar Henry percorreu o albergue improvisado do Hospital Geral de San Lorenzo, conhecido como Calle'i. Sob uma lona velha, com rasgos por onde o vento e a umidade entram, dezenas de familiares de pacientes internados tentavam se aquecer.

Nestorina Martínez, que há oito dias acompanha a mãe, preparava água quente para mate. “A água também entra quando chove”, contou. Wilma González, que passou a noite de sexta-feira no local com as primas para cuidar de uma tia, desabafou: “A verdade é que dá pena. Não deveríamos estar assim. Merecemos um lugar digno”.

Ignacia Romero viajou oito horas desde Pedro Juan Caballero para ficar ao lado do filho, submetido a cirurgia de apendicite e que passou pela UTI antes de ser transferido para a enfermaria. Há 15 dias no albergue, ela se emocionou: “Não sei se vou aguentar muito tempo, porque também estou doente”. Apesar do frio, reconheceu a solidariedade dos outros familiares, que levaram itens de conforto.

As condições do abrigo incluem colchões sobre estrados, cobertores rasgados e assentos reaproveitados de consultórios. A estrutura é de responsabilidade do Ministério da Saúde Pública, que, segundo os relatos, não fornece itens básicos, obrigando as famílias a comprar o necessário para os pacientes internados. A previsão para os próximos dias indica leve alta na temperatura, mas na segunda-feira a mínima deve cair novamente para 11°C.