Em entrevista ao programa En Detalles, da emissora ABC TV, no domingo (17), o presidente do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE), Jorge Bogarín, classificou as críticas ao sistema de voto eletrônico como parte de uma campanha de ataque não apenas às máquinas, mas à própria instituição. Bogarín afirmou que o sistema foi utilizado com sucesso nas eleições municipais de 2021 e nas gerais de 2023, e que a Justiça Eleitoral está preparada para organizar comícios “limpos, claros e transparentes” nas prévias partidárias de 7 de junho.
O ministro reconheceu o direito de questionar o sistema, mas advertiu que “difamar nem insultar” a instituição não é aceitável. Segundo ele, por trás das críticas há uma tentativa de atacar o modelo estabelecido pela Lei nº 6.318/2019, que instituiu listas abertas, voto preferencial e o uso de urnas eletrônicas. Bogarín ressaltou que qualquer mudança no modelo eleitoral deve ser discutida no Congresso Nacional, não no TSJE, que apenas aplica a legislação vigente. “Não somos fanáticos deste sistema”, declarou, embora tenha alertado que voltar ao esquema anterior representaria “um retrocesso”.
O presidente do TSJE também admitiu deficiências na comunicação institucional, afirmando que “o que não se informa é como se não se fizesse”. Ele anunciou uma reestruturação da estratégia comunicacional da Justiça Eleitoral para esclarecer os procedimentos técnicos e de segurança das máquinas.
Fausto Von Streber, diretor de Tecnologias da Informação e Comunicação do TSJE, detalhou os mecanismos de segurança implementados nas cédulas eletrônicas e no chip RFID incorporado em cada boletim. Segundo ele, o chip funciona como um dispositivo de armazenamento de dados e só pode gerar um voto válido quando passa pela urna habilitada na mesa correspondente. O sistema verifica a autenticidade do chip antes de permitir a votação. Von Streber afirmou que os dados armazenados no chip são criptografados e que a chave de criptografia varia conforme a máquina, a credencial e outros elementos de identificação do processo eleitoral.
O diretor lembrou que tecnologia semelhante foi usada anteriormente na Argentina, onde surgiram questionamentos devido à possibilidade de leitura remota das informações. Diante desses antecedentes, Von Streber indicou que o Paraguai exigiu a incorporação de mecanismos de criptografia para impedir acessos externos aos dados contidos no chip.
Apesar das explicações, persistem dúvidas em setores políticos e técnicos sobre a auditabilidade e transparência total do sistema, especialmente com a proximidade das prévias, que testarão novamente a confiança da população no voto eletrônico.