O senador Édgar López, membro do Conselho da Magistratura (CM), admitiu sem rodeios que a formação das ternas para juízes, fiscais e camaristas é resultado de acordos políticos, desmentindo a ideia de que as seleções são baseadas em idoneidade. Em entrevista à rádio 1080 AM, López afirmou: “Os partidos políticos brigam por seus candidatos. Para que vamos nos enganar? Os espaços políticos são acordados, negociados. Isso é categórico.”
López votou a favor da inclusão do fiscal Aldo Cantero na terna para juiz de Assunção, que recebeu sete votos no CM na segunda-feira passada. O fiscal antidrogas Deny Yoon Pak, que liderou a megaoperação A Ultranza Py e obteve a condenação do ex-senador Erico Galeano, recebeu apenas um voto, do ministro da Corte Suprema de Justiça Luis María Benítez Riera.
Questionado sobre seu critério de escolha, López explicou que “constrói maioria” e que, se se opusesse a Cantero, seu próprio candidato não entraria na terna. Ele também reconheceu que a maioria dos magistrados tem filiação partidária: “Muitos magistrados são da oposição, para que vamos nos enganar? A grande maioria, para não dizer todos, tem seu partido, tem preferência por algum partido político.”
A decisão gerou críticas de parlamentares e juristas. O deputado Daniel Centurión afirmou que Cantero “deve estar fora do sistema de Justiça” por ser “um profissional obsequente ao poder político”. A deputada Rocío Vallejos pediu pessoas íntegras no Judiciário, enquanto a ex-ministra Cecilia Pérez declarou que “a Justiça está podre”.
As informações são do jornal Ultima Hora, que destacou a transparência do senador ao admitir o caráter político do processo.